Pedro - The Drunk With the Feelings

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Marina and the Diamonds... tô viciado! Gosto de músicas indies, meio alternativas, pois relaxam e me inspiram. É realmente bom, recomendo. E as músicas dela me lembram as da trilha sonora de Skins.

- Pedro, The Drunk With the Feelings -

(Julho de 2014)

- Mas minha irmã também vai Nick...
- Cara, eu já superei isso. Qual é...
- Sei lá ué. Posso até ir contigo, mas vou ter que dar atenção pra ela também, então...
- Te pego que horas?
a noite toda se deus quiser
- Passa aqui as 20h.

"Skins Party". Nick não era fã da série, só sabia que ia rolar música eletrônica e muita bebida. Fiquei feliz pra caramba quando ele me ligou. Desde a separação dos dois, tá um clima chato na gangue. Há tempos que não saímos juntos, nenhum de nós. Nem mesmo eu com a Rach. Mas meses atrás, quando fomos convidados pra esse evento, tínhamos combinado de irmos juntos. Só sei que será estranho...

-- x --

Passei 3 horas numa maldita loja de roupas com a minha irmã. Eu estava com saudades dela, porém esse foi o maior sacrifício da minha vida. Já podemos pular pra parte que eu me mato.

- Sério, não me chame mais. Que morte horrível.
- Dave, você só não demora na loja pra comprar suas roupas
- Porque sou uma pessoa normal.
- Porque você só compra essas camisetas ridículas de rock.
- Falou a pagodeira.
- Eu amo Metallica, mas até parece que vou comprar só camisetas desse estilo.
- Rachel, na boa, eu te amo, mas você abusou hoje.
- Acho que essa bota não vai combinar, mas ok.
- Cara, você não acha estranho o Nick ir e o Fabio não?
- Não. _ respondeu ela olhando pro celular na bolsa
- Sério?
- Dave, eu mantive uma relação saudável com eles. Se o Fabio se afastou, eu não posso fazer nada.
- Eu não quero te julgar...
- Vai começar...
- Cara, não acho certo, sabe... Tu foi la, ficou com o Nick. O moleque se apaixonou por você, então você foi e namorou o melhor amigo dele. Antigo, porque agora eu ocupo esse cargo.
- Uhum, ta.
- Serio, então você foi lá e separou do Fabio porque não conseguia andar com o Nick por perto. Como você acha que será a noite hoje?
- Toda vez que você começa com "não quero te julgar" você joga todos meus erros na minha cara...
- Não é isso Rach, é que sou amigo do Nick e
- Então vai la ficar com ele. Porque você aceitou sair comigo hoje?
- Porque eu sou seu irmão? Seu melhor amigo?
- A primeira alternativa é a única que funciona. _ disse ela com sacolas na mão, guardando o celular na bolsa _ Escuta, não vem atrás de mim não.
- Mas Rach...
- Te vejo na festa Dave.

E então fiquei parado na calçada. Eu sei que ficar lembrando ela dos erros não melhora nada. Mas poxa, eu sinto tanta falta dos nossos amigos, das nossas festinhas. Era tudo tão bom. Eu sei que ela também sente... Só não consigo encontrar outra pessoa para culpar.

- x -

O chão vibrava há uma quadra de distância do local. A tal festa ficava em um lote abandonado, ao ar livre. De longe já dava pra avistar as luzes e os gritos adolescentes. Eu estava super animado, e pela cara do Nick, ele também estava. Era tão bom sair com ele novamente.

- Mano, ninguém da trupe veio. _ disse Nick estacionando o carro _ Qualquer coisa, a gente se pega pra não ficar se sentindo sozinhos. _ ele disse rindo, passando a mão no meu rosto

- Vai. Se. Fuder. _ eu disse afastando dele e removendo o cinto de segurança _ Cara, ta cheio de garotas desesperadas bêbadas. Você com certeza vai encontrar uma louca.

- Cuzao.

Pegamos nossa vodkas, alguns cigarros e entramos no lote. Um grande sobrado - GRANDE MESMO, cheio de fumaça, caixas gigantes de som, luzes, e muita gente louca. Parecia um hospício cheio de adolescentes maníacos. Era muito foda.

-- x --

Aquilo tudo cheirava a perfume, terra, mato molhado e cerveja. A música estava muito alta, mas ainda dava pra ouvir os "cara, te amo mesmo" do já-bêbado-Nick. E eu ainda não tinha nem encontrado alguém pra pegar.

- Nick, você tem certeza que você tá bem!?
- O que?!
- Você tá bem?!
- To ótimo mano!! Vamo dançar?!
- Não, eu to bem!

Então ele se afastou de mim. Decidi ir buscar mais bebidas, pois meu copo já estava vazio. O Nick não era criança, podia sobreviver um pouco sozinho. Fui até o bar, até que um cara desconhecido puxou conversa comigo.

- Cassie ou Effy?
- Caráter.

Ele riu e estendeu as mãos.

- Gostei da sua camisa cara. _ disse ele, apertando minha mão _ Pedro Eduardo.
- Dave Schmidt. _ ri e agradeci pelo elogio. Usava uma camisa com "Oh... Wow, But fuck you" estampado.


 Pedi uma dose de tequila e lembrei que não havia entrado sozinho na festa. O tal Pedro pegou uma bandeja com varias cervejas, deu um sorriso e saiu. Ele não era do estilo que ficava com caras... Pelo menos não parecia. "Não dava pinta". E também usava uma aliança na mão direita, do estilo que se ficasse com homens, ja era tarde demais pra mim.

Ele era bonitão. Tinha um estilo hipster, com um cabelo meio grande, preto. Uma pele bem branca, e meio alto. Carinha de criança, mas com um sorriso safado. Aquele cara que pega todas menininhas no colegial, e que todo garoto quer ser amigo. Um popular.

Voltei pro salão e me deparo com a Rachel falando com o Nick.

- Você? _ eu disse, estranhando
- Oi Dave.

Estranhei o fato dos dois estarem conversando, não pelo fato dela estar ali. Nick foi puxando o copo da minha mão e disse que essa música era irada, que a gente tinha que dançar. Eu disse pra ele ser feliz, e soltei a bebida. Ele se afastou e então fui conversar com a Rachel.

- Nem começa...
- Eu não disse nada. _ respondi
- Hm.
- Hm.

Ela como sempre estava linda. Um vestido meio curto com uma bota preta e batom vermelho. Do tipo meio slutty.

- Então vocês tão de boa? _ perguntei reparando nas botas dela
- A gente nunca ficou "de mal". _ ela respondeu

Então ri da resposta, pois pareceu algo da época de criança. E ela também riu. E de repente começou a tocar uma super música eletrônica, do qual nós dois amávamos, e ela me puxou pro salão.

- Eu não danço.
- Por favor!!! _ ela pediu, puxando meu braço
- Mas mas
- Mas nada.

Então fomos pra perto daqueles maníacos no meio do salão. Eu ainda não tinha ficado no grau, então ficava meio envergonhado com aquilo. Rach dançava na minha frente e eu ficava rindo, tentando acompanhar. Avistei logo a frente aquele garoto que havia conhecido no bar. Ele pulava, gritava, as vezes dançava, e tinha alguns amigos a seu redor. Ele era lindão, contagiante.

A música decidiu parar pra juntar os casaizinhos, e começou uma meio romântica. Sai do salão e fiquei encarando o tal Pedro. Vi ele beijando uma garota que parecia meio gótica, talvez a tal namorada. Após algum tempo ele olhou de volta e disfarcei. Então ele fez um gesto e me chamou.

- Ja volto Rach.
- Trás pra mim também.
- Mas eu nem vou buscar be... Ah, ok.

Fui até ele e cumprimentei seus amigos.

- Esse é o Brayan, Carol, Vic, Sabrina.
- Prazer. _ cumprimentei meio tímido
- Gente, esse é o Dave Fucking Schmidt.
- Who the fuck are you?

Ele riu e ofereceu bebida. Aceitei. Então a morena, tal da Vic, ofereceu um "cigarro". Disse que não fumava.

- Não vai ser careta né Dave? É de graça mano!! _ disse Pedro

Ri e aceitei. Depois de algumas tosses, consegui tragar aquele fumo forte.

E então sentei com eles na fogueira do lado de fora. Parecia que o tal do Pedro namorava uma menina chamada Bia, a qual não se encontrava na festa - e traia a mesma com a Carol, a amiga gótica.

- Você é viado ou usa essa camisa pra fingir o tal? _ disse Brayan
- Na verdade me obrigaram a usar mano. Ganhei e não tinha evento nenhum.
- É bem gay. Gostei. _ disse Carol
- Fala que você gostou porque é uma camisa trevosa Carol. _ disse Pedro rindo
- Nossa você me conhece demais amor. _ disse ela se aproximando dele. Então eles riram e começaram a se pegar.

Eu fiquei meio tímido e resolvi tragar mais daquele cigarro que não era cigarro. Cada um tinha seu papel naquele grupo. Pedro parecia ser o centro de tudo. Brayan era o amigo cuzão. Carol era a gostosa que todos queriam pegar (e talvez tivesse até acontecido isso), meio engraçada, com uma maquiagem dark das trevas. Sabrina era a amiga fofa que todos amavam e com certeza zuavam. Vic era a outra cuzona, e bem gata também.

Por algum motivo, a única que pareceu ir com a minha cara era a Sabrina, pois era a única que conversava comigo. Quando eu falava algo, Brayan ou Vic me interrompia, mudando o assunto. Pedro estava com a boca ocupada demais, engolindo a Carol viva. Dei uma desculpa e fui até o salão ficar um pouco sozinho.

Fiquei pensando na vida e tudo que estava acontecendo. Eu digo, na vida mesmo. Sabe, eu sei que todos começam "nossa que zzz, ele é gay e já começa de drama", mas as coisas não são assim cara. Você nunca percebe que aquela escolha que parece ser tão simples no momento, irá afetar sua vida toda. Seu estilo, seus papos, seus amigos. Eu me atrai ao Pedro pois queria muito ser como ele. Livre, cuzão, frio, HÉTERO, popular talvez.

Queria poder ser "normal".

Então pensando nesse drama, alguém toca meu ombro.

- Por que saiu de perto de nós?
- Ah, eu conheci um cara aqui...
- Hmmmm, já tá pegando os novinhos?
- Não Nick... _ então fiquei irritado e deixei ele falando sozinho
- Que foi? Desculpa Dave... Eu falei algo demais?
- Não, tudo bem.

Então neguei com a cabeça e sai andando. Fui até o carro e peguei minha blusa, tava quase congelando la fora. Fiquei andando naquela estrada de terra, sem rumo. Ao longe dava pra ver a fogueira, as luzes da festa, adolescentes se pegando. Peguei um pedaço de pau e fiquei desenhando coisas na terra com uma mão, a outra segurando o copo.

A bad tinha batido, mas na verdade era só eu entrando no grau. Eu sentia falta do antigo Nick, da antiga trupe. Eu ficava olhando o Pedro com seus amigos e lembrava dos meus. Lembrava do papel que cada um fazia no nosso. Só que infelizmente, a Rachel que era o núcleo. E quando esse núcleo foi destruído, tudo se tornou difícil demais para continuar como antes.

- Você pode ser assaltado aqui sabia?
- Ta me seguindo? _ eu disse rindo, e soltando o pedaço de pau
- Talvez.

Pedro se abaixou e pegou o pau no chão. E viu o desenho na terra, que era mais um borrão de um círculo.

- O que significa? _disse ele
- Um bêbado e seus sentimentos? _ eu respondi
- Que arte. Da até um nome para um livro.
- Pior que dá mesmo! _ eu respondi rindo
- Cê tá bem mano? _ disse ele olhando pra mim
- Só um pouco bêbado _ eu disse rindo

Então ele ficou me olhando e eu encarei de volta.

- Eer... Tenho que voltar pra la...
- Sim, to ligado. Vai la. _ eu disse rindo
- Fica bem, beleza? _ ele disse passando a mão no meu ombro

Respondi com um sorriso e uma afirmativa com a cabeça. Ele era um cara extremamente legal. Volto pro salão e procuro pela Rach. A festa parecia que iria até de manhã, só que eu já tava cansado.

- What the fuck?

Eu disse para os dois se beijando.

- Oi Dave. _ disse Nick, se afastando da Rachel

Eu não acreditava no que tava vendo. Depois de toda a porra do drama, dos choros do Nick, ele fazia aquilo... Fiquei tão puto que minha vontade era pular nele ali mesmo. Mas eu nunca fui do tipo que briga. Só balancei a cabeça que não e sai de perto. Rach parecia estar tão bêbada que nem se importou.

Eu tinha ido de carona e já era madrugada. Não tinha ônibus naquele local. As vans do evento só iriam sair de manhãzinha, no final da festa. Resolvi meter o foda-se e fui curtir o resto da noite. Virei algumas doses de tequila e fui caçar. Queria descontar minha raiva pegando alguém. Bem típico.

Vi alguns gays dançando, mas aquilo não me atraia. Então mais a frente, vi aquele garoto novamente. Porra, ele era tão contagiante. Só de olhar pra ele, eu já ficava feliz novamente, sorrindo. Então fui até ele.

- Mano, to afim de pegar alguém. Me ajuda?
- Ai sim, meu caro Schmidt... Gatinhas? É comigo mesmo.

Então ele me puxou e fomos pro lado de fora. Ele disse que tinha uma garota perfeita pra me apresentar, e que eu iria gostar. Após conhecer aquela loira, só me lembro de cenas borradas.

Sei que transamos na barraca do pedro, com ele e a Carol logo ao lado. Acordei com uma puta dor de cabeça. Vi aquela garota do meu lado, e não imaginava um dia ficar com alguém daquele patamar. Seu nome era Alice e ela tinha namorado. Pois é.

Fui embora com a turma do Pedrinho e tentava lembrar de coisas da noite passada. E então me lembro que a irmã do Fabio estava na festa na noite e como fui cuzão, pois contei tudo que estava acontecendo - do lance da Rachel, pra ela. E fiquei pensando como aquilo tudo iria acabar.

- Ei mano, vai ter uma festinha na casa da Carol hoje. Ta afim? _ disse Pedro, enquanto Brayan dirigia a van
- Ah, nem rola... Ainda to meio morto por ontem.

Pedro fechou a cara, e não respondeu nada.

- Fracote. _ disse Carol
- É, pode ser. _ confirmei rindo

Desci e agradeci pela carona. Pedro me passou o número dele pra "quando eu mudasse de ideia". Anotei o número, mas não iria mesmo na festa.

-- x --

Cheguei em casa, tomei um banho e deitei pelado mesmo. Só queria morrer e acordar após a vitória dos extraterrestres na terceira guerra mundial.

Acordei e já era noite. Meu relógio mental havia me abandonado. Lembrei de todas loucuras da noite passada, das brigas, do sexo, do cheiro, das danças, da Alice. Com vírgulas mesmo.

Liguei meu celular e vi algumas ligações perdidas, além de mensagens do Nick. Pedidos de desculpas, umas perguntando onde eu tava e as últimas mandando eu me foder. E então me lembrei que havia pego o número do Pedrinho. Só que eu havia anotado na mão, e trouxa como sempre, me esqueci disso quando tomei banho. Só tinha alguns números borrados.

Fiquei louco e fui tentar achar ele no Facebook. Depois de alguns milênios, efetuei sucesso. Porém ele não estava online. Só deixei uma mensagem dizendo que eu havia perdido o número do mesmo, e sabia que ele não iria responder pois estava na tal festa. Porém ele respondeu.

"=)"

Fiquei pensando o que aquilo poderia significar, e confirmei apenas que ele estaria tão drogado que mandou aquilo por mandar. Então fui assistir séries e esperar que a vida passasse mais rápido. Não efetuei sucesso nisso.

-- x --

Cinco dias depois, recebo mensagem do cara que achei que não falaria mais comigo. Sim, ele mesmo.

- Ativo agora. Hm. _ disse ele
- Hashuahsu trouxa _ respondi _ Já curou das ressacas das festas de ressacas?
- Um pouco. Sim, não.
- Ok.
- Ok. _ disse ele

Então fiquei esperando ele falar algo. Acho que ele estava fazendo o mesmo - ou só estava ocupado respondendo os milhares de amigos.

- Vem pra cá =)
- Pra cá onde? _ respondi
- Minha casa
- Ah sim, qualquer dia a gente pode marcar pra jogar uns "playstationnnn"
- Agora
- Que?
- To indo te buscar
- Mas mas

Fiquei feliz e elétrico. O que ele queria comigo do nada? Ah, eu ja tava pensando bobeira de novo. O cara só queria minha amizade e eu já pensando em segundas intenções. Mas que amigo que chama desse jeito? Tipo, a gente tinha acabado de se conhecer... Só sei que me levantei e fui trocar de roupa.

Então escutei um carro buzinar e avisei minha vó que ia na casa de um amigo. Ela disse pra eu não voltar tarde e mandou ter juízo. Ok, grandma.

Ele estava num carro esportivo, com o som meio alto. E então vi aquele sorriso malicioso.

- Oie.
- Oi...
- Tive que pegar emprestado do coroa, eu fudi com o parabrisa do meu na festinha da Carol. _ disse ele se referindo ao carro
- Hm... Ok.
- Ok.

Ele morava no GrandVille, um bairro de classe média na minha cidade. Fazia sentido pois, ter 19 anos e ja ter um carro daqueles, era o tipo de coisa que só acontece em filmes americanos. Ou mauricinhos ricos no meu mundo. Ele estacionou e vi aquela grande casa branca. Um bairro calmo, com jardim na frente das casas. Nunca tinha visto algo do gênero na minha cidade...

- Bem bacana a casa. _ elogiei, descendo do carro
- Obrigado.

Eu era um cara tão simples que comecei a me preocupar com o que vestia para estar em um local daquele gênero. Bermudas jeans e all star, com uma camiseta do Mega... Ah, fuck it. Só esperava não conhecer a família dele vestido daquela maneira.

A casa era ainda mais linda por dentro. Cor creme, moveis elegantes. Ele deu oi pra empregada (cara, uma empregada, ok) e subimos.

- Fiquei surpreso com a mensagem _ eu disse
- Por quê? _ ele disse, abrindo a porta do quarto.

E que quarto... Um estilo meio rebelde, com posters de bandas que eu nunca ouvi falar. Alguns trechos de músicas gravados no teto. Porta retratos dele criança e alguns da formatura. Uma estante com medalhas e troféus.

- Ah, sei lá... Não é algo que vivo sendo convidado do nada por estranhos.
- Mano, eu deixei tu foder minha irmã, sou um estranho pra você?
- A Alice é tua irmã??

Ele olhou pra mim como se fosse a pergunta mais óbvia que eu ja tivesse feito. Que irmão que faz algo do gênero?

- Enfim... Olha que irado. _ ele abriu o notebook

Colocou umas músicas de MPB e ficou deitado na cama.

- Você me chamou aqui pra que exatamente?
- Você veio pra que?
- Não to entendendo... _ eu disse rindo

Então ele levantou, veio até mim e sorriu. Foi descendo a mão, e eu olhei assustado. Então ele me afastou do móvel e abriu a gaveta. Deu uma gargalhada e pegou um saquinho.

- Relaxa, beleza?
- Ta. _ eu disse, com as pernas tremendo

Ele colocou o pó branco numa capa de livro, separou em listras e pegou um canudinho.

- Ja provou?
- Preciso responder?

Ele pegou na minha mão e me puxou devagar.

- Senta aqui cara, calma _ disse ele, sentando na cama novamente _ Sua mão ta suando.
- É, pode ser.

Ele então cheirou e me passou a caneta. Eu não queria fazer aquilo mas não era hora pra recusar.

- Seus pais não ligam que você faça isso?
- Mano, eles tão ocupados demais fazendo dinheiro. _ ele disse limpando o nariz com a mão _ Eles que se fodam. Sua vez.

Então cheirei... Tinha cheiro de produtos de limpeza, fazia o nariz coçar e era bem estranho. Ele deu mais uma cheirada e aumentou a música. Já não era mais MPB, e sim um indie underground, meu estilo favorito - depois de mega.

Fiquei meio calado e ele olhou pra mim. Puta que pariu, ele era extremamente gostoso. Ele tirou a camisa e começou a dançar que nem um maluco no meio do quarto.

- Vem Schmidt.
- Não _ eu disse rindo, tímido _ To bem.

Ele puxou a gola da minha camisa com força junto a ele. Pensei ser o efeito da droga. Só dei um sorriso e tentei acompanha-lo.

- Isso, se solta Schmidt. Foda-se o mundo. Fecha os olhos.

Obedeci e comecei a me sentir elétrico. Uma energia forte. Eu precisava solta-la. Ele me abraçou e começou a cochichar a música em inglês no meu ouvido. E então beijou meu pescoço. Puxou meu cabelo e eu virei pra beija-lo. Ele empurrou  meu rosto e fez que não com a cabeça. Eu tentei chegar perto novamente, e ele deu um soco no meu queixo. Um murro fraco, com boas intenções talvez.

- Você me deixa louco, sabia? _ ele cochichou no meu ouvido

Parecia um sonho. Tudo borrado, a musica sem ritmo, o toque dele no meu corpo. Ele tirou minha camiseta e me abraçou novamente. Agora com ritmo devagar, sem música.

Eu estava excitado e ele não me deixava beija-lo. Beijava minha orelha, meu pescoço, esfregava o corpo dele no meu. Deitamos na cama e ficamos naquilo. Então ele foi subindo a boca até meu queixo, e tocou meus lábios. Só tocou. Tentei beija-lo, mas novamente ele negou.

- Se fizer isso de novo, vou te bater pra valer. _ ele disse meio bravo

Então virei e fiquei por cima, puxei o cabelo dele, coloquei seus braços pra cima com uma mão e com a outra passei a mão em seu rosto. Ele sorriu e fechou os olhos. Fingi que ia beija-lo, mas afastei meus lábios. Fui descendo até seu pescoço, beijei seus mamilos. Vi aquela barriga sarada, eu tava louco.

E então tirei sua calça e as minhas também. Ficamos naquilo, apenas esfregando. E então depois de um tempo, ele parou. Olhou sorrindo pra mim.

- Você me deixa muito viado.

Então sorri e sai de cima.

- Se você não gosta, então... _ eu disse, pegando minha camisa
- Schmidt, vem cá. _ ele disse me puxando. E então finalmente senti seus lábios. Foi um beijo tão mágico. Minha boca clamava por aquilo. _ Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu.

Fui beijando seu pescoço.

- Sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos. _ ele cochichava em meus ouvidos

Não era real.

- Me deixastes gay, caro amigo. Obrigado por isso.

Então comecei a rir e beijei ele novamente. E ficamos sentados na cama, com ele mexendo em meus cabelos.

- Por que demorou cinco dias pra falar comigo? _ perguntei, deitado no peito dele
- É sério, eu não sei o que é isso. Nunca senti nada por homem algum. E você não saía da minha cabeça. Então tentei sei lá, esquecer.
- Por isso não me chamou?
- Sim.
- Que fracote.

Ele puxou meu cabelo e perguntou quem era o fracote. Então sorri e beijei-o novamente.

- Ninguém nunca recitou Carlos Drummond de Andrade pra mim no sexo. _ falei entre os beijos
- Ninguém nunca reconheceu que era Carlos Drummond de Andrade.
- Vai se foder.

Ele sorriu.

- Você é gay Schmidt?
- O que acha?
- Ah... De primeira tinha certeza que não. Mas depois você ficou dando umas olhadas enquanto eu trepava com a Carol naquela noite. Minha vontade era pular pro seu colchonete.
- Eu nem lembro direito. _ eu disse rindo
- Sério?
- Uhum.
- Você mete bem. Minha irmã nunca gemeu tanto.
- Você é nojento.

Ele riu e levantou. Vi aquele corpo e suspirei. Aquele cara másculo, sarado, viril, de cueca na minha frente. Carinha de inocente e ao mesmo tempo, com um sorriso malicioso. Aquela bunda... Ele colocou uma música brega (MPB) no notebook e voltou pra cama.

- Ninguém pode saber disso, beleza? _ ele disse deitando ao meu lado _ Ou vou ser obrigado a te bater.
- Não me atiça que eu ligo agora mesmo pra Carol.

Ele olhou pra mim e deu um tapa em meu rosto. Então me beijou, me deixando sem folego. Ficamos nos amassos por muito tempo. Mas nada além daquilo. Era tão estranho, pois ele achava que eu era hétero. Então não chegamos a tirar a cueca. Ficamos só nos beijos. E não sei se era efeito da coca, porém, tudo era mais vívido. Os sentidos, os toques, sua saliva, sua língua, seus lábios. Foi uma das tardes mais lindas da minha vida.

- Mano, já são nove horas... Preciso ir embora.
- Dorme comigo.
- Não rola Pedrinho... Minha vó, sabe como é...
- Vou ter que te obrigar?
- Não, sério, tenho mesmo que ir.
- Eu to mandando porra! _ ele disse, puxando meu braço pra voltar pra cama

Eu olhei pra ele e disse que não. Ele ficou puto e mandou eu ir me foder.

- Mano, sério isso? _ eu perguntei, olhando pra ele. Ele virou o rosto pro canto e disse que ia dormir. Pra eu fechar a porta quando saísse. Fiquei puto e saí.

Desci as escadas, e encontrei uma garotinha no sofá da enorme sala. Ela mexia em um Tablet e nem parecia notar minha presença. Dei um olá, mas sem ser correspondido, sai pra fora. Não sabia como voltar pra casa, não sabia onde pegar um ônibus. Tinha ficado muito puto com ele. Quem ele pensava que era?

Fui andando mesmo até encontrar alguém que pudesse me dar informação. Porém era um bairro com ruas vazias. Esses riquinhos... Quando ja estava longe o suficiente pra pedir socorro, avisto um carro vindo em minha direção.

- Entra. _ ele disse, parando do meu lado.
- Pode deixar que eu vou sozinho. _ eu disse, ainda puto pelo ocorrido
- Anda logo Schmidt.
- Pedro, você é tão criança. Eu tenho horário pra chegar em casa, só entende is...
- Cala a boca.

Então entrei e fiquei quieto. Só tinha aceitado porque o bairro era longe demais. Ficamos quieto o caminho todo. Então ele parou na frente da minha casa.

- Obrigado. Eu acho. _ eu disse, tirando os cintos

Ele então trancou as portas e fechou o resto da janela dele.

- Me desculpa. _ ele disse, olhando pra rua a frente
- Olha pra mim então.
- Cara, vai se foder, eu não faço isso pra ninguém, ja ta ótimo, tchau.
- Tá, tchau. _ falei irritado, tirando o cinto
- Vai tomar no cu! _ ele disse, puxando o cinto de volta.
- Quer dizer mais alguma coisa?
- Mano...

Fiquei olhando pra ele. Ele era tão frio e tão grosso. Realmente acho que nunca tivesse feito algo do gênero.

- Me desculpa. Ok? _ ele disse olhando pra mim
- Ok. Te desculpo. _ respondi com um sorriso

Então ele veio em minha direção, e me deu um beijo de boa noite.

- Já falo contigo no whats? _ ele perguntou, pegando o celular
- Pode ser. _ passei meu número pra ele

Ele foi me beijar novamente. Quando fechei os olhos, ele levou sua boca até meu ouvido.

- Só ta começando.

-- x --  

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