Jeffe - The One With the Band

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Oasis é uma banda tão julgada, eu digo, de uma forma ruim. Tipo, muito. Não entendo isso. Os caras tocam pra caralho, e as músicas são fodas. Não chega a ser um Megadeth ÓTIMA COMPARAÇÃO DAVE, PALMAS - mas é muito boa. Eu to numa fase gay-emo-gotico-rokista, onde escuto clichês gays como Indie e Rock Alternativo e taco um foda-se nisso. E acho super engraçado as pessoas comentarem que as músicas do Oasis são gays por serem  românticas demais, mas veneram os Beatles. Oh irony...

Eu poderia listar minhas bandas favoritas e Beatles estaria no meu Top 10, então não me mate. Só fiz um comentário. Stay cool. Falando em “bitous”, isso me lembra uma antiga amiga...

- Jeffe, The One With The Band -

(Maio de 2013)

E o bar era muito semelhante ao Bar do Rock. Exceto pelas paredes velhas. E pelo público jovem. Neste bar só dava pessoas adultas, motoqueiros e outros tipos irados. Eu não sabia como a Jeffe conhecia esses locais, mas era foda. O cheiro de perfume e cigarro inundava o lugar. As pessoas falavam alto e riam pra caralho. Tocava uma banda inescutável de rock, o que minha mãe diria “rock pauleira”, o que digo BLACK METAL.

Era foda, um bom momento. Eu tava tão chapado... Eu a encarava, esperando ela dizer algo, mas a mesma só ria cada vez mais.

- Não tem graça _ eu disse, pegando o copo dela
- A gente pode conseguir mais, mas só se você topar...
- Jeffe, eu não vou transar com você.
- Isso não é algo que você decide _ ela disse, pegando de volta o copo quase vazio _ E eu não me referia a isso.
- Ah, não? _ eu disse, puxando a mão dela. Ela sorria, e eu fazia uma cara de safado, tentando E SENDO sexy.
- Não faça essa cara. _ ela disse, soltando minha mão
- Por que? Ta ficando molhadinha? _ eu disse, com uma voz de safado, tentando E SENDO MUITO sexy

E então ela começou a gargalhar dizendo pra eu parar, que tava ridículo. Então eu fiquei irritado e mandei ela se fuder. E me levantei da mesa pra buscar mais bebida. E então ela veio por trás e me puxou. Quando virei, ela encostou a boca perto do meu rosto.

- Você bravinho... _ ela disse, me puxando _ É super sexy. _ e me soltou.

Eu pirava com aquela garota. A gente andava por ai, sem rumo. Dois fugitivos com grandes sonhos, tentando mudar o mundo. O fato era que a única coisa que a gente fazia pra contribuir com isso, era encher a cara e tomar “pílulas”. Ou seja, nada. O mundo não iria mudar pelo Dave e a Jeffe, mas o mundo mudaria os dois.

- Eu pago ou você paga? _ eu disse, bêbado suficiente pra ir embora
- E porque não ele? _ disse Jeffe, apontando pro Charlie
Charlie parecia ser um adolescente comum e quieto pra sociedade. Para mim, era um anjo. Branquinho de olhos azuis, muito humilde e muito quieto, com ótimos conselhos. O melhor amigo que se pode ter. Amava demais aquele guri – e isso resultava no ciúmes da Jeffe.
- Yeah, eu pago.
- Charlie, você nem bebeu, nem seria justo...
- Foda-se. Ele tava aqui com gente, fazendo nada como ele sempre faz, então... _ disse Jeffe brava, enquanto Charlie já tirava a carteira do bolso _ Não, eu pago.
- Mas você disse... _ eu respondi, não entendendo a cena toda
- Eu. Pago. _ disse Jeffe pegando a bolsa

Jeffe enchia muito o saco do Charlie. Não só nessas noites malucas que a gente tinha, mas sempre. E eu achava ele guerreiro por não ficar bravo nem nada. Ele dizia que a Jeffe era uma adolescente temperamental e que isso era super normal, então tava cool. E ela se irritava mais ainda por isso.

Olhando pro passado, vejo que a gente formava um belo triângulo amoroso.
Subi pra ir ao banheiro com o Charlie, pois não confiava dele ir sozinho com esses velhos rokistas de bar, enquanto a Jeffe ia pegar bebidas pra viagem. Na volta, vi Jeffe passando rápido por mim.

- Melhor correr. _ ela disse, colocando a garrafa de vodka dentro da jaqueta
- Jeffe, não!
E então ela saiu correndo, enquanto eu não sabia o que fazer. Eu tava tão bêbado que minha vontade era só rir. Mas eu não poderia rir naquele momento, com dois caras gigantes vindo na nossa direção.
- O que ta havendo? _ disse Charlie, enxugando as mãos na calça
- Corre! _ eu disse, pegando meu celular em cima da mesa

Eu não olhava para os lados, nem pra trás. Só corria. Mais e mais. E era loucura. Eu poderia apenas voltar e pagar a conta mas eu queria viver aquilo. Aquele momento. E eu imaginava que a Jeffe era conhecida naquele bar, então isso podia fuder a gente. Mas eu preferia deixar isso pro Dave do futuro resolver.

A noite era mágica. A gente corria gritando que nem malucos, coisas como “Viva a liberdade” e “Megadeth na veia, Merdallica na cadeia” e outras nem tão cool como “Cala a boca você” para os velhotes das janelas nas casas.

Então segui correndo atrás da Jeffe, com o Charlie mais a frente. E subimos um morro, onde dava pra um dos meus locais favoritos. O pasto da Torrecilas. Eu sei que ao dizer “pasto” você pensa em algo que lembra roça,  bois e vacas, mas não é isso que está imaginando. Era apenas um local aberto e vazio, parecendo uma montanha. E a gente costumava ir lá as tardezinhas pra zoar casais, ou até fingir dar uns pegas. Muitas noites tinham acontecido lá, como na noite em que a Paulen – nossa amiga lésbica, levou lsd pra gente experimentar pela primeira vez. E a primeira relação lésbica da Jeffe, com a amiga da Paulen. E a vez que nosso amigo Eddie quebrou o braço por tentar mostrar como se dançava Pinhead.

Deitamos no mato e ficamos olhando as estrelas. Eu segurava a mão da Jeffe, enquanto venerava o nada.  E sentia aquela mão fria segurando minha outra mão – fria, como o Charlie sempre foi. Nós três, segurando mãos, cheio de sentimentos. Chapados, loucos, fugitivos. Eu sorri, e virei o rosto. Olhei pra Jeffe e encostei meu rosto perto do dela. E então a beijei. E aquela mão fria me apertou. Então virei e olhei pra aquele rostinho triste. Ele fez que “não” com a cabeça e eu não pensei muito – só o-beijei. E a boca dele tinha gosto de trident de canela, meu favorito.

Soltei as mãos e apoiei minha cabeça em meus braços, deitando novamente. E cochilei. Então escutei algo estranho. Era um grito, ou um choro, ou uma risada. Olhei pro lado e vi Charlie, com o rosto todo coberto por sangue. E Jeffe rindo do outro lado, segurando uma grande pedra.

- Por que?
- Porque ele é irritante. E também, por que é que ele tem detalhes do gosto da boca e eu não?
- Porque ele é homem, sei lá... Sinto coisas ao escrever sobre ele...

Então senti minha cabeça molhada, coberta por sangue. Jeffe rindo, segurando uma grande pedra.

- Vai me matar?? _ eu disse, indignado
- Que história boring. Super clichê. Triângulo amoroso. Roubar um bar, correr por ai.
- Se você me matar, você não vai estar nessa história PORQUE EU QUE ESCREVO O FUCKING BLOG
- Whatevs _ disse Jeffe, soltando a pedra (eu acho) – Só sei que ficou muito clichê.
- Mas você não gostaria de viver esse clichê comigo? _ eu disse, pensando no quanto seria legal
- Milhões de vezes.
- É...
E ficou aquele silêncio.
- Acho que vou dormir Jeffe.
- Também... Te odeio tá?
- Eu te odeio mais.
E então saí do Zello. Era triste saber que todas nossas aventuras duravam uma conversa virtual por um “walk talk” de android. Jeffe era quase perfeita, seu defeito era morar longe demais. Pelo menos o Charlie estava perto.

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Eu tinha uma rotina: ir trabalhar, aproveitar a manhã calma e silenciosa sem-Steve, e ser guerreiro na parte da tarde por ter que atura-lo. Eu já tinha até métodos de como não brigar com ele. O fato era que eu conhecia esses métodos, mas preferia ignorar. Ele já tinha feito eu passar tanta raiva, que a única coisa que me fazia bem, era irrita-lo. Eu até poderia ser legal, mas preferia não ser.

E foi nessa época que o Matt entrou na nossa empresa. Eu gostava de agradar o Matt porque ele era uma cara bacana. Mas meu maior motivo, era atacar o Steve. Se ele pensava, IMAGINAVA, qualquer suposto, qualquer coisinha, qualquer, que eu tinha sentimentos por ele, ele estava totalmente enganado. E eu gostava de fingir adorar o Matt quando ele estava perto.

O ponto ruim disso foi que se meu plano era fazer o Steve pensar que eu estava apaixonado pelo Matt, funcionou. Bom, não funcionou a parte em que o Steve pensa isso, mas sim que eu pensava. Eu pensava estar apaixonado pelo Matt. Todos sentimentos bons que eu tinha pelo Steve, toda aquela fase “preciso ir trabalhar amanhã para vê-lo”, tinha mudado pro Matt. E eu tinha ódio de mim por isso, pois já tinha sofrido tanto com um.

Eu e o Matt tínhamos grandes momentos. Ele me zuava, eu zuava ele, nós dois zuava o Steve – não era zuera da minha parte... A gente ouvia merdallica (ele me obrigava), via vídeos engraçados. Ele fazia brincadeiras maliciosas comigo, coisas de amigos.

Não era justo. Não era certo. PORRA, ELES SÃO HÉTEROS. Eu nunca vou ter um grande amigo hétero?? Sempre vai ter esse sentimento confuso de “será que eu amo ele? Será que eu devo dizer e ver se a gente pode ficar juntos?” É tão injusto comigo.

Eu digo sério, porque tipo, eu não tenho amigas. Nem pretendo ter. Quando gosto muito de uma garota, eu to afim de pegar ela. Nem precisa ser namoro, a menos que ela seja muito foda – o que no meu caso, não tenho encontrado muitas. Agora, com garotos é diferente pois me aproximo muito rápido. E nunca são gays. Eu não tenho UM FUCKING AMIGO que seja gay. Nenhum. Eu conheço alguns carinhas, mas nem me atraem. Tirando o Cake, que é bissexual – anyway, ele mora longe pra caralho.

Eu atualmente conheço gays, tenho relação sexual e pronto. Fica nisso. Nunca rola algo a mais.

Tenho obsessão por héteros. Talvez o problema seja comigo e isso me dá uma raiva muito grande, uma crise de existência. Eu só queria ser normal, como todo mundo. Eu perco grandes amigos por causa disso, e sofro no silencio com outros. Matt foi o primeiro amigo que sofri no silêncio.

Decidi que nunca iria contar a ele sobre essa coisa louca de querer dar uns pegas. Eu amava ele como irmão, e queria manter dessa forma. E então me obriguei a acreditar nisso. Não vou dizer que funcionou muito bem...

Eu e o Matt saía sempre no trabalho. Visitava clientes, comprava coisas juntos, esse tipo de coisa. E a gente ficava cada vez mais próximo.

- Então você...
- Eu sou virgem. _ disse Matt, não demonstrando vergonha
- Whoa! Man, você tem 18 anos... Tipo... whoa...
- É, eu sei, to ligado _ disse ele rindo _ É só algo que escolhi, sabe... Sexo só depois do casamento.
- Mas você ao menos... Sabe...
- O que?
A gente subia uma rua com sacolas, ainda bem longe do serviço.
- Ah, descasca a banana? _ eu disse, tendo uma crise de riso
- Quantos anos você tem, 9? _ disse Matt rindo _ Yeah, eu faço isso...
Era estranho e legal imaginar aquilo...
- Daora... _ eu disse, ficando meio tímido
- Mas e você, com quantos anos perdeu a virgindade? Delicious desse jeito aposto que foi novo pra caralho.

Matt sempre fazia essas brincadeiras, dirty jokes. E eu ficava maluco pois ele nem imaginava que eu curtia homens. Ele fazia piadinhas sobre eu ser “gostoso, delicious, sexy” e esse tipo de coisa pra me irritar, e eu jogava uma “deixa de ser viado” pra não ficar um clima estranho. A verdade é que eu me excitava com aquilo.

- Seu trouxa. _ eu disse, empurrando o braço dele_ 17 anos.
- Esse ano? Que mentira...
- Sério, começo do ano...
- Não acredito, mas ok. Só tenta não ser papai muito novo, beleza?
- Vou fazer o meu melhor. _ eu respondi, pensando sobre o conselho

Quando cheguei em casa e lembrei sobre o assunto, tive outra crise de identidade. Agora além da de “eu amo heteros, que porra” tinha a “eu nunca vou ser pai”. Porque a verdade era essa: eu gostava de mulheres, mas só sexo. Nada além. E minha amizade com a Jeffe só provava isso. Eu amava ela, mas nunca pensaria em casar e formar uma família. Não, nada relacionado.

No meio de tantas crises, eu conheci a Jeffe. Foi na época da deprê pelo Steve, o Matt ainda não tinha entrado na minha vida. Ela morava em outro estado, muitos km longe da minha cidade. Se chamava Jeniffer, gostava de unicórnios e muito Punk. E era fã da minha série favorita na época, Skins.

Ela tinha 16 anos, mas não tinha pensamentos de garotas da idade dela. Ela era totalmente diferente - e não, não era lésbica. Então tinha esse aplicativo que eu usava pra falar com gringos, Zello Walkie Talk. Sim, walkie talk. A gente conversava muito lá. Era mais fácil que conversar por mensagens de texto e a gente falava coisa com coisa por horas, o que era legal pra caralho.

Noites malucas como no começo desse capítulo aconteciam. E eu contava da minha boring life pra ela, mas só coisas que ela realmente precisava saber, como, meu amor por Megadeth. E na mesma época, meu vício pelo livro As Vantagens De Ser Invisível.

A gente virava noites conversando e eu gostava demais dela. Eu até falava dela pro Matt, dizia ser minha namorada e que ela estudava na mesma escola que eu estudei. E contava de casos de sexo malucos que eu tinha com ela – que nunca aconteceram. E as mentiras me faziam sentir melhor, menos perdedor, pelo menos com o Matt.

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Julho de 2013

-Eu marquei com ele as 20h30, só que não achei que iria ter que passar em casa. Dae eu saí do serviço as 19h30, fui em casa tomar banho, e quando cheguei no ponto de encontro já eram 21h. E ele estava lá!
- Mentira.
- Sério _ eu disse rindo
- E aí?? _ disse Rachel balançando meu ombro
- E então foi foda. Tipo, eu nunca tinha... você sabe. E eu ainda tava na fase de negação, então...  O nome dele era Gustavo... E nessa noite eu tava bem nervoso. Eu atrasei no banho porque queria me atrasar no encontro e não ter que enfrentar aquilo, mas sei lá, era o destino...
- TA MAS E O SEXO?? _ disse Rachel, me irritando
- É a segunda vez que fala isso, se me cortar de novo
- CADÊ A PORRA DA PENETRAÇÃO
- Então, essa parte... Bem, a gente combinou o local lá em frente ao Bob’s, e ele estaria de carro. E tipo, nas fotos do Face ele parecia um Deus grego, o que me fez apaixonar bem rápido. Muito lindo, tipo, muito mesmo. Ele tinha cabelos castanhos, rosto clarinho, olhos verdes, sorriso mais lindo ever, parecia ator de filme. Quando vi ele pessoalmente, não era tão perfeito. Tipo, ele não era feio, só tava um pouco mais velho. Talvez eram as fotos ou a impressão que eu tive. Ele tinha cara de 18, mas pessoalmente ele tinha 28. Não digo que isso era algo ruim, ele era lindo.
- Que foda. _ disse Rachel impressionada, não pelo fato de eu ter uma relação com um rapaz e sim por eu ter tido uma relação. Eu era tão fechado quando a gente era amigos, e agora tudo tinha mudado. Eu tinha ficado um gato por ter emagrecido, e acho que esse era o fator principal.
- Yeah... Dae tipo, ele perguntou porque que eu tinha me atrasado, meio bravo acctually. Mas eu não culpo ele, imagina, 30 minutos atrasado, ele tinha razão. Acabou que a gente tava la e isso iria acontecer. E então ele disse se eu tinha algum problema de ser no carro, e eu disse que não, tava de boa. Só que ele não imaginava que eu era virgem, então... Fomos pra uma estrada na rodovia, e encontramos um local vazio, atrás de um galpão abandonado. Ele parou o carro e acendeu a luz. E eu tava muito nervoso. E então ele disse que eu era muito lindo, que tinha valido a pena esperar. E então ele me beijou. E foi meu primeiro beijo.
- Espera... O QUE? Com homens né? _ perguntou Rachel engasgando com a agua. A gente subia aquele morro de sempre, pra voltar pro trabalho.
- Não, com tudo. Eu nunca tinha beijado... _ eu disse, meio envergonhado _ E foi lindo. Ele era lindo e beijava muito bem. E a boca dele tinha gosto de tic tac de menta. E então, ele tirou a camiseta, e eu tirei a minha. Ficamos dando uns amassos e ele disse pra gente ir pro banco de trás. Dae fomos e ele pegou uma camisinha.

Hoje, pensando nisso, lembro que no próprio chat quando a gente marcou tudo, eu já havia dito a ele que não curtia ser passivo, mas não tinha nada contra quem era. Era só algo que eu não tenho vontade de fazer, nem curiosidade, nada. Eu REALMENTE gosto de bundas.

E então eu ia comer ele e ia ser irado. Eu batia muitas punhetas pensando em como seria minha primeira vez. Algumas foram (MUITAS) com o Steve e a maioria com atores héteros de filmes. Com o clássico de encher a cara e o amigo virar e dizer “Dave, eu sou hétero, eu não curto ser gay. Mas to tão bêbado e te amo tanto que hoje vou dar pra você”. Eu nem sei como eu acreditava nisso, mas funcionava pra excitar.

- Ele tirou a calça, ficou de cueca... e aquilo foi muito estranho. Tinha um cara só de cueca na minha frente e eu não sabia o que pensar sobre. Na hora veio na minha mente “o que eu to fazendo? MAS QUE PORRA EU TO FAZENDO?” e só deixei rolar. Então ele tirou minha cueca e me chupou. Foi muito bom. – eu disse rindo pra Rachel
- Mais detalhes, menos blablabla, vamos Dave.
- Deixa de ser pervertida.
- Ai, eu só to curiosa, sempre quis saber como gays fazem.

Eu ri e continuei a história. – Sei lá como gays fazem... Mas na minha primeira vez, não teve penetração. Tipo, ele tava la me chupando, e então puxou minha mão pra cueca dele. Foi bem... sakas, estranho. Mas foi daora. Dae depois da gente dar esses amassos, e espécies de 69, ele tentou dar pra mim. Só que não rolou. Ele não costumava dar, pra falar a verdade, acho que ele nunca tinha dado. Tipo, talvez o tamanho do meu... então, sei lá, deixou ele safado e
- Dave, não esse tipo de detalhe... Que nojo.
- Ue, você que ta perguntando. _ eu disse rindo
- Não quero saber das suas partes, e tipo, se não teve sexo, então não foi primeira vez...
- Foi ué, primeira vez que eu beijei.
- Quando eu perguntei da sua primeira vez, me referia ao sexo. E você não vai fugir disso, amanhã me conta tudo.
- Oshe.

E então ela me abraçou e entrou pra trabalhar.

E pensando sobre essa noite, foi muito legal. Eu tava tão nervoso e foi tudo tão natural. Apesar de não ter rolado a penetração, foi uma experiência muito boa. Ele disse que não costumava ser passivo e por isso tava doendo muito, então não forcei. A gente terminou batendo um pro outro, se beijando. E foi muito bom. A parte chata é que eu sempre SEMPRE demorei pra gozar. Então eu gozei bem depois dele.

Ainda assim, foi foda. Mesmo não tendo a foda.

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Junho de 2013

- The Wallflowers?
- É ótimo nome Jeffe!
- Paredes de flor? Que nome irado pra uma banda de heavy metal. Super másculo você Dave _ disse Eddie

Então tive minha primeira trupe. Ela não era real, todos moravam longe demais. Mas éramos ótimos amigos. Tinha a Jeffe, fã de punk e adoradora dos Beatles – a mesma que me obrigava a dançar Ramones, sua melhor amiga Alice, que era bem figurante actually. E então havia o emo-gótico-rokista-de-cabelo-grande Eddie, que não era um cara bonito, mas tão engraçado-legal que você daria pra ele antes mesmo dele te embebedar.  Paulen, a melhor amiga do Eddie – que ele a listava como ‘’única lésbica do mundo que não irei comer”, uma fanática por Guns n’ Roses, David Bowie e Joan Jett, também listo aqui que ela era EXTREMAMENTE GOSTOSA e totalmente maluca. Tinha também a Karen, mais uma figurante/amiga da Jeffe, e por último, Bob, também conhecido como Bobilicia – ex da Jeffe, e resultado disso, meu arqui-inimigo. Essa era a trupe. E claro, após virar um grande fanático por The Perks of Being a Wallflower, conheci o Charlie, o que veio entrar no círculo mais em breve.

- Vai se fuder. Não tem tradução, é como... Pink Floyd, The Wallflowers. _ eu disse irritado
- Na verdade eu achei bem legal... _ disse Paulen _ E nos shows a gente poderia colocar aquelas fumaças com imagens de abelhas ao fundo...
- Flores não tem nada a ver com isso gente! _ eu respondi
- Eu acho que tem um sentimento puro, como você ser invisível num papel de parede de flores, você é uma parede.
- Isso! Isso mesmo Charlie.
- Gente, que tédio. _ disse Jeffe
- E o que gente vai tocar? Heavy metal mesmo? _ perguntou Eddie
- Não, tem que ser Punk. _ respondeu Jeffe
- Não, vai ser hard rock. A gente pode abrir pro Guns! _ disse Paulen
- [uma frase totalmente figurante aqui] _ disse Karen
- [uma afirmativa totalmente figurante aqui] _ concordou Alice
- A gente pode juntar tudo! E criar um novo estilo. Como o Sabbath criou o Metal! _ disse Eddie

Esqueci de dizer, Eddie é fanático por Black Sabbath. Na verdade, ele quem me mostrou War Pigs e mudou minha vida com a música. Seu user no twitter era relacionado a ela, o que nunca me faria esquecer. Ele também gostava de Mega, o que era massa.

- Yeah... E a gente pode até dar o nome do primeiro álbum com o nome da banda. E a primeira música também! _ Eddie disse
- É, depois que mudar o nome... _ disse Jeffe
- Não. Eu gosto desse nome... É diferente e especial.  _ respondi
- Eu já até acostumei. _ disse Paulen
- [um comentário totalmente figurante aqui] _ concordou Karen
- Sim. A gente vai lançar a música The Wallflowers, do álbum The Wallflowers da banda The Wallflowers. Vai ser irado! _ eu disse, todo animado de ter minha própria banda
- Tá, mas quem vai tocar o que? _ disse Jeffe _ Eu sou a baixista.
- Eu fico com a guitarra! _ disse Paulen e Eddie juntos
- Você pode tocar a base! _ disse novamente os dois juntos
- Paulen é gostosa, então... _ disse Jeffe
- Sim, você é gostosa Paulen, estão já tem esse fato magnífico pra chamar atenção da plateia, não precisa fazer os solos loko. _ disse Eddie
- Não, claro que não. Eu sou gostosa mesmo, mas eu fico com o solo.
- E a bateria? _ eu perguntei, tentando acabar com a discussão boba dos dois
- A Karen ta fazendo aulas de batera... Ela já da conta de algo, certo Karen? _ disse Jeffe
- [uma afirmação figurante aqui] _ disse Karen
- Certo, agora falta o vocalista. _ eu disse _ Eu posso até cantar, mas sei lá...
- Melhor não. _ disse Eddie e Jeffe juntos
- Vão se fuder. _ eu respondi _ Tá, e quem vai cantar?
- A Alice pode cantar... _ disse Jeffe, tentando trazer luz pra garota desiluminada
- [uma resposta figurante aqui] _ respondeu Alice
- O Bob! _ disse Eddie _ A gente pode chamar ele.
- Ah não... _ eu disse, lembrando do sarcasmo nojento do mesmo _ Ele não.
- Por que não? _ disse Jeffe _ Ele canta super bem.
- Então monte uma banda com ele.
- Dave, para de ciúmes... Sabe que só você é meu mozão.
- Bobilicia, o vocalista das parede flor _ disse Eddie
- Bobilicia. Por que tinha que dar esse apelido tão idiota Jeffe? Que falta de criatividade.
- Ah sim Dave, Jeffe é super criativo para Jeniffer.
- É diferente. E eu criei porque você me lembra isso. Ele não é delicia pra
- Não é por nada Dave, sou lésbica e pah, mas ele é um delicia sim. _ disse Paulen, me cortando
- Tá, e eu vou fazer o que? _ eu disse
- Você fica com a parte criativa, compõe as letras, faz a divulgação, essas coisas... _ disse Eddie
- É, eu posso fazer isso. Sou ótimo em escrever. _ eu disse
- Verdade. _ disse Charlie sorrindo para mim
- Então serei o empresário da banda. Cool! _ eu disse sorrindo de volta _ Posso já até fazer a logo. Vai ser tão irado.
- A primeira banda virtual do mundo. _ disse Jeffe
- E com um estilo novo... massa... _ disse Eddie
- Tipo, cada um grava a sua parte do instrumento, depois manda tudo pra mim, eu junto com o vocal do Bobdiota, e lanço o CD digitalmente. VAI SER DO CARALHO
- Ta, mas e os shows? _ disse Paulen
- Ah, se ficar famoso, a gente vai faturar uma grana, dae podemos sair em turnê _ disse Eddie
- Gente, isso é muito caralhudo. _ disse Jeffe

E a gente ficava só imaginando aquilo acontecer. Eu entrei em processo de inspiração para escrever a letra das músicas. E após alguns dias, eu terminei a primeira. Se chamava Baked Like a Cake. Eu havia tirado trechos de uma cena do filme The Perks of Being a Wallflower. Escrevi palavras aleatórias e após então, juntei todas. E formou uma ótima música! Sério, poderia fazer sucesso. Vou até compartilhar contigo. Era mais ou menos assim...

You such a dick
I was finding for you now
You such a bitch
That’s no way to turn this down
Refrão:
I’ve never felt that
I’ve never felt that
I’ve never felt… that fear
I always sound like
I always sound like
I always sound… like queer
So take your bath, show me you naked
Let me dream… My dear…
I’ve never felt that
I’ve never felt that
I’ve never felt… that fear
Segunda parte
I’m such a bitch
I dunno to write this now
I’m such a dick
There’s no sense, but this is how…
(Refrão)
Are you baked? (clap-clap / voz de fundo: Like a cake…) 4x
Solo 1 Eddie – Solo 2 Paulen
So take your bath! Show me your naked!
Let me dream… my dear
I’ve never felt that
I’ve never felt that
I’ve never

Baked Like a Cake – Dave Schmidt

Bons tempos.

Acabou que já existia uma banda com aquele nome. A gente nunca tinha ouvido falar, mas sim, havia uma The Wallflowers – para ser honesto, eu nunca peguei pra ouvir a banda. Não até agora.
E esse foi o nosso fim. Sim, sem nexo nem nada. Apenas acabou. A gente ia decidir mudar de nome, mas a animação tinha acabado. Tão rápido quanto nasceu, o sonho tinha ido embora. Eu não era talentoso o suficiente pra fazer aquele processo todo com a música virtual. Jeffe tava começando as aulas de baixo a pouco tempo, como a Karen e a Paulen. Eddie queria que o nosso estilo fosse apenas Heavy ou Thrash Metal, disse que Punk e Hard faziam ele dormir. E Bob não aceitou o cargo de vocalista, disse que já tocava em uma banda, UMA REAL, o que me fez odiar ainda mais aquele imbecil.

E acabou. Mas ficaram as lembranças... a péssima música... E nunca decidimos quem iria ficar com a guitarra solo.

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- Sábado... E vai ter uma banda de rock...
- A Jeffe não liga de você sair assim com seus amigos? _ disse Matt, pegando o folheto na minha mesa
- Não, ela até vai comigo as vezes...
- Você disse que ela tinha 16 anos.
- Sim, mas quando a gente vai pra praça e talz... Enfim, tu vai? _ eu disse, disfarçando a mentira
- Não rola mano... Sábado vai ter esse grande culto na minha igreja... Sabe que não posso faltar.
- Só porque é o guitarrista (GOSTOSO DELICIA)?
- Não Dave, tu sabe... Mãe pastora, tem como fugir? Ela iria perguntar... E você sabe que não curto esses locais que você vai...

Matt era um evangélico tão lindo e bacana, que nem parecia evangélico. Ele não curtia bebidas, não curtia shows, não curtia festas. Era um adolescente virgem, lindo, perfeito. Eu ficava louco com aquele moleque, mas enfiava na minha cabeça que ele era APENAS UM AMIGO. Meu único e melhor amigo.

- Eu só queria que você conhecesse um pouco do meu mundo. _ eu disse, me sentando ao lado dele
- Eu conheço! Eu convivo contigo diariamente, escuto suas piadas ruins, amo metallica
- Você é tão amável...
- Tô brincando _ disse ele _ Mas sério, eu já te conheço... E meus ótimos momento contigo é aqui, trabalhando, todo dia ao seu lado... Ver uma delicia dessa diariamente não é pra qualquer um...
- Deixa de ser trouxa. Eu só queria que tu sei lá, se divertisse comigo.
- Então aparece lá na igreja! Então poderei te mostrar o meu mundo. E quem sabe, até peço pra minha mãe deixar eu conhecer o teu.
E então ele deu aquele sorriso lindo. E eu ficava encantado só do modo que ele conversava, era tão carinhoso. Disse a ele que iria pensar sobre a proposta da igreja naquele sábado, mas acabei não indo. E não me arrependo disso... naquele sábado, eu conheci o Nick.

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- Jeffe, eu só não entendo... Se ele gosta tanto de mim, porque nega tanto de sair comigo? Não pode ser só igreja, ele é evangélico, mas não é do tipo “venha cá, tenho uma palavra do senhor pra você”.
- Quando é que você vai contar pra ele que você gosta de bananas?
- Para, eu to falando sério...
- Berinjelas.
- Jeffe...
- Linguiça calabresa.
- Jeffe.
- Salsicha com ovos.
- Jeffe!
- Ta bom, parei! _ disse Jeffe rindo _ Mas sério, vai abrir o jogo?
- Você é louca? Eu demorei meses pra te contar... E você é mulher, o que nem deveria significar tanto... Ele além de homem, é meu melhor amigo...
- Não suspeita do Steve contar algo sobre você dois?
- Acho que ele não seria capaz... Ele é cuzão, mas acho que não tão cuzão... E também tem o orgulho hétero dele, Matt iria pensar que algo aconteceu, já que a gente não suporta um ao outro.
- Devia ir sábado então.
- Sem chance. Há séculos não saio com a minha irmã... Pra falar a verdade, acho até estranho ela me chamar... Te contei que o Joey voltou a conversar comigo?
-Quenhe Joey?
- Amigo da minha irmã, o baixista... Lembra?
- Ah sim, um pitéu ele.
- Ele nem é tão bonito.
- PITÉU.

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Sexta a noite em casa... Alguns assistem filmes, outros jogam online. Eu naquela sexta fazia uma das coisas que mais gostava...

- Quer que eu tire pra você? _ perguntei, olhando pro volume na calça dele
- Dave, acho que isso não é certo...
- Charlie, a gente se gosta há tanto tempo... Você vem aqui em casa sempre, convive comigo. Quando é que alguém conhece um fanático pelo livro The Perks of Being a Wallflower e essa pessoa se chama CHARLIE?? Tipo, era o destino a gente se conhecer. E a gente ta tão próximo... Eu quero isso, você parece que quer isso...
- Por que pensa que eu quero? _ disse Charlie nervoso
- Pelo seu volume na calça quando te mostrei o vídeo gay? _ eu disse rindo
- São pessoas fazendo sexo, que que tem? Eu to confuso Dave... Tipo, você é meu amigo, me conta sobre sua vida, confia tanto em mim... não quero que as coisas mu
Então beijei ele. Não deixei ele terminar, apenas me aproximei e beijei aqueles lábios molhados. Ele estava com a mão gelada, e com o coração acelerado.
- Charlie, se quiser eu paro.
- No, it’s okay.

E então ficamos nos beijando. Eu estava sozinho em casa, e tinha colocado um vídeo pornô no PC. Charlie estava com uma camisa cinza, calça jeans azul e um moletom. Aquele cabelo baixinho meio bagunçado, sua pele clara, seu rosto rosado. Lindo como sempre.

Deitamos na cama e ficamos nos beijando. Passei minha mão na calça dele e senti o volume. Ficamos nu, um batendo pro outro. E antes de chegar ao clímax, eu tinha dito aquelas três palavras. Aquelas que me assustaram.
- Eu te amo. Charlie, eu te amo.

E então gozei, com o coração acelerado. Ele estava chorando e rindo ao mesmo tempo.

Dave Schmidt. Seu melhor amigo é um evangélico que ama ele de paixão, mas que não entende a razão de tantos convites para sair. Sua amiga, Jeffe, apresentou ele para o grupo virtual, com amigos “rokistas” – como diz ela, onde eles passam horas conversando e planejando mudar o mundo sem ao menos tentar. Dave, o mesmo garoto que não terminou os estudos, e ganha a vida fazendo sites numa empresa quase-quebrada de um amigo do pai. Dave, o primeiro da família cujo tem sua orientação sexual invertida. O que sonha muito e não realiza nada.

Dave. Este mesmo. Dave Schmidt.

Após esta crise de identidade, meu amigo, eu tive que matar. Então ela havia morrido. Ela e todo mundo virtual se fora com a mesma. Não teve um adeus. Nada. Apenas a bloqueei nas redes sociais e me afastei daquele mundo. Eu estava vivendo uma vida virtual, com amigos virtuais e criando coisas que não existiam. Ela morava longe demais pra eu me apegar tanto. E foram tantos meses, tantas noites conversando com ela. Não teria mais Jeffe. Aquilo precisou acabar.

Não tive que matar o Charlie, ele nunca existiu.

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- Busca o Fábio comigo de novo?
- Lá naquele fim de mundo?
- É 10 minutos andando, deixa de ser preguiçoso. _ disse Rachel
- Você faz isso todo dia? _ eu perguntei, rindo
- Sim.
- Sério?
- Sim, ué, por que? _ respondeu ela
- Sei lá, só não quero ser obrigado a ir lá buscar aqueles dois todo dia.
- Acho que vou ficar com o Nick no sábado. _ disse Rachel animada
- Sério? Ele é moh legal.
- Sim... Você vai mesmo né? O guitarrista da banda é amigo do Joey.

Após voltarmos da casa do Fábio, deixei Rachel no trabalho dela. A gente tava se despedindo, e eu fui abraçar, como sempre fazia. Então avistei do outro lado da rua, aquele menino branquinho de olhos azuis. Charlie olhou de volta e sorriu. Então abracei ela mais forte.

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