Hey... Eu não escrevo há um bom tempo... But here I am.
Eu não conseguia encontrar um jeito de dizer isso, mas… nada
mudou. Muitas coisas aconteceram. Muitas. Mas os sentimentos, os fatos de como
as coisas acontecem na minha vida, o drama, o clichê... nada mudou.
Neste momento, estou sentado na cadeira nada-confortável no
meu quarto, escutando Imagine Dragons e pensando o quanto isso é irônico. Tipo,
eu não sou um fã da banda, mas eu escutava exatamente o mesmo quando comecei a
conversar com você, no ano passado. Lembra, o famoso Night Visions. Agora
relaxo para escrever, com um pouco (muito?) de Smoke & Mirrors.
Eu fiquei de te contar da noite em que o Joey escuta algo que não deveria ter escutado, e
as coisas ficam bem fodidas. E acabou que eu nunca terminei de escrever.
Nenhuma razão em especial. Então, vamos voltar onde parei.
(I’m so sorry é caralhuda!)
- Joey, the One Who Finds Out –
- Eu sei que você sabe. _ ele não respondeu.
Olho para aquela vista, uma noite vazia com luzes ao longe.
O vento passa, lambe meu rosto e vai embora. Uma lua gorda, mal acabada, porém
brilhante. Nick não dizia nada, e isso me deixava preocupado. O álcool me dava
liberdade para voar, mas minha mente não permitia.
- Eu sei que a nossa amizade não será a mesma, mas eu tinha
que falar… Já ouvi todos os seus problemas, já servi de ombro inúmeras vezes e
não posso ter o mesmo. Nossa relação é muito unilateral cara, e eu não quero
isso…
- Dave, eu tô pouco me importando
- Olha, eu confesso que eu fiquei surpreso quando minha irmã
me contou. Não esperava que ela fosse espalhar isso por aí…
- Ela não espalhou, ela só
- Eu digo, eu confiei demais nela… Não contei isso pra
ninguém. Não contei nem pra mim. O fato de eu ser bissexual não muda meu
caráter, e sim o das pessoas a minha volta
- Você o quê?! _ disse Joey saindo do meio da escuridão,
onde nos espiava.
A vodka molha minha calça. Escuto o barulho do copo se
multiplicando no chão, mas não dou importância. Esperava que o vazio daquela
noite fosse apenas um pesadelo, onde eu iria acordar, e sentir minhas calças
molhadas… e não pela vodka.
-- x --
Dois anos antes
Aniversário da minha irmã. Sim, eu estava muito ansioso. Eu
quase não saía, não tinha muitos amigos... não tinha amigos. Nesta época eu não
me preocupava muito com isso, eu tinha meus sites e meus amigos virtuais. Era
maneiro.
Minha irmã sempre me amou demais, tipo, muito mesmo. Isso
sempre foi mútuo. A gente não sabe qual é o nosso problema – irmãos costumam se
odiar, certo? Acontece que ela é e sempre foi a pessoa que mais amei na vida.
A única que chamo de “Família”. Comemorar o aniversário dela naquele ano não
era apenas incrível pelo fato de que ela fazia 18, mas também porque eu tinha grandes novidades.
Eu estava trabalhando na área que eu tanto amava. Eu tava
emagrecendo, me sentindo bem, talvez até feliz. Mesmo com o acontecimento da
paixão pelo Steve, eu estava feliz. E eu queria que ela soubesse disso. Eu
queria contar tudo a ela. Mas quando a encontrei naquela noite, descobri o
quanto estávamos afastados. O namoro dela com o Elton só ferrou a nossa
amizade.
Mas não era apenas isso. Eram os acontecimentos recentes.
Meus sentimentos. Minhas sensações estranhas pelo corpo masculino. O quanto eu
me excitava pela palavra cueca. Rachel era minha única e melhor amiga, mas não
podia mais contar com ela. Eu achava que era só uma fase, e que eu iria voltar
a ser o virjão de sempre, mas não era verdade.
A encontrei na praça, ponto de encontro para os convidados
da “festa”. Ela iria comemorar no Bar do Rock, um não-famoso, mas muito bem
frequentável bar na minha cidade. Eu já tinha ouvido falar, e apesar de eu ser
onze meses mais novo que ela, não achei que seria problema beber naquela noite.
Ela estava linda. Aquele sorriso cativante, e aquela energia
gostosa que ela sempre teve. Só que aquela noite era dela, não nossa. Eu até
tentava me enturmar, mas quem iria querer conversar com o irmão-gordo-feio mais
novo da aniversariante linda e magnífica?
Tinha esse carinha de cabelo longo e piercings no rosto. Ele
ria bastante e gostava de falar bem alto. Tinha esse outro, careca, com
alargadores nas orelhas. Bem bonito e parecia ser um cara bem bacana. Eu sei o
que você deve estar pensando, mas não, eu não fiquei só notando os amigos
machos da minha irmã. Ela não tinha amigas. Nunca teve muitas. Tirando minha
outra irmã, Emma, não havia outras garotas no grupo.
Eu tentava puxar assunto com a Emma, e ria das piadas que os
amigos da Rach contava. O bar é no estilo daqueles pubs 80’s americanos, com
paredes velhas e muitos posters de bandas. O incrível eram as fotos, coladas
nas paredes velhas. Fotos com muitas histórias de noites como aquela que eu
estava tendo. O dono do Bar, Gerard, sempre tirava uma foto com todos na frente
do local. Ficava irado.
Estava tocando um show do Dio na grande TV, com grandes
caixas de som. Era um local divertido, mesmo eu não ficando muito animado.
Aconteceu que cansado de observar, eu resolvi entrar no assunto.
O fato foi que minha irmã Rachel queria arranjar o amigo
dela, Fabio, pra minha outra irmã Emma, “ficar”. Eu não sabia se devia sentir
ciumes, pois não senti nem um pouco. Então a Rachel me obrigou a trocar de
lugar com ele - sem o mesmo saber, claro, para que ele ficasse do lado dela.
E então, chegamos a parte importante. Este carinha, com camisa rosa, calças
coladas, e cabelo curto. Cara de nerd, atitude de nerd, papo de nerd. Ele era
melhor amigo do Fabio, e era do meu estilo, caladão.
- Joey, certo?
- Isso.
- Dave, prazer. – disse, apertando firme a mão dele – Não se
pode ter uma cadeira com boa visão pra TV nos dias de hoje. Que mundo estamos!?
Disse tentando parecer legal.
- Pois é. _ ele disse rindo, e meio tímido.
- E então, faz o que da vida?
- Essa é uma pergunta relativa.
- Muitas coisas são relativas. A explicação dessa pergunta
só seria tediosa. O que faz pra viver?
- Ah... Eu respiro.
- Cara, a gente vai se dar muito bem! Eu faço isso quase
sempre.
E então eu conhecia o Joey. Ele fazia piadas irônicas, e
algumas com o Fabio (muitas) que eu não entendia nada, mas ria assim mesmo para
não parecer chato. Conversei com ele a noite toda. E bebi tanto, que nem me
preocupei se eu havia dito algo demais. Até porque ele parecia ser bem
figurante no grupo, então o que de pior poderia acontecer?
-- x –
Dois anos depois / 12 horas antes da festa do Joey
- E então ele disse “Que seja Dave, até mais então”. Tipo,
eu não entendo porque as pessoas fazem um drama todo após o sexo. Sexo é sexo.
Você não marca sexo com a pessoa no primeiro dia pra então entrar num
relacionamento sério. Pessoas de relacionamento sério não marcam sexo no
primeiro encontro.
Eu acho que drama é o que há demais. Eu detesto que fiquem
me alisando, tocando, fazendo qualquer coisa no meu corpo após o sexo. Então
decidi que é isso, eu sou frio. Eu não tenho quem eu quero, então prefiro ser
sozinho. Eu até dei uma dica pra ele,
disse que quando ele se sentir triste, pra ele voltar e se sentir incrível, que
eu faço isso sempre e funciona.
- Dave, eu só perguntei se você vai na festa hoje a noite...
- Rachel, eu até fico triste por ser o principal e pensar na
sua alma lá sem mim, mas... acho que nem rola.
- É, na sua mente você é o principal mesmo. Deve ser por isso
que o Joey criou o evento no facebook chamando de Dave’s Night.
- Sério??
- Não enche meu saco não. Promete que vai?
- Vou pensar.
- Leva duas vodkas. Te amo.
- Oshe.
--x--
Dois anos antes
Eu trabalhava numa empresa com webdesign e isso eu já te
contei. Fazia exatamente 4 meses que eu havia me juntado aquela equipe, e as
coisas já haviam mudado demais. Após aquele surto de sentimentos esquisitos
pelo Steve, o clima ficou bem tenso.
Não se apaixone por alguém da sua sala de aula. Não se
apaixone por alguém no seu trabalho. E mais importante, se você for homem, não
se apaixone pelo seu colega de trabalho super hétero. Porque você terá de
aturar aquela pessoa por muito tempo e talvez seu lance de paixão fôda isso.
As coisas ficam tensas e chatas.
Steve não conversava mais comigo como antes. Ele me olhava
diferente, não puxava assuntos e pegava demais no meu pé por coisas
insignificantes. Eu não reclamava, pois eu me sentia errado. Eu gostava dele,
eu imaginava o corpo dele pelado quando ele sorria, eu imaginava fazer coisas
com aquela bunda-branca-magnifica. Eu estava louco. Ele estava certo por me
tratar mal.
Aconteceu que eu estava cansado demais com aquele clima.
Então resolvi ter uma conversa com ele. No estilo DR, mas sem o relacionamento.
- Eu só quero que saiba que aquilo passou. Era uma fase, eu
não gosto de você.
- Então você não gosta de mim?
- Gosto! Claro que gosto! Até demais, mas...
- Então você ainda tá naquele lance de paixão?
- Não, eu gosto como amigo. Eu não sou viado Steve, eu sei
disso. Era loucura. Eu nunca tive amigos, eu acho que estava confundindo o que
sentia por você (FUCKING LIE).
- Bom, você anda muito infantil ultimamente, precisa levar
sério seu trabalho e...
- Você não é meu patrão, não tem que mandar em mim. Tem que
cuidar da sua vida e deixar a minha.
- Viu, infantil novamente. Eu sou seu colega de trabalho,
então tenho todo direito de te alertar
- Alertar?? Você me xingou na frente de um cliente. E nem é
meu dever atender o telefone.
- Não da pra conversar socialmente com você. É um
cabeça-dura do caralho.
.
.
Ele sempre fazia aquilo. Terminava uma discussão quando bem
queria. E era sempre a mesma coisa, “não da pra conversar socialmente com
você”. CLARO QUE DAVA! ERA SÓ VOCÊ MANTER O TOM DA VOZ BAIXO, CACETE!
Minha paixão pelo Steve mudava pra raiva. Eu tinha raiva do
chefe sempre elogiar ele por coisas mínimas que ninguém se importa, como,
trocar o galão de água quando estava vazio, ou, abrir as cortinas quando estava
um dia bonito la fora.
Eu estava extremamente bravo com o Steve por tudo que estava
acontecendo. E o que mais me atraía, era a rejeição dele. Ele me rejeitava como
amigo, e isso me deixava mal pra caralho. Me sentia tão inferior a ele. As
coisas precisavam mudar.
Após a noite do aniversário da Rach, eu não saí mais com ela
por um bom tempo. Mas a parte legal era que o tal do Joey havia me adicionado
no Facebook. E ele era tão legal, pois gostava de conversar. Não conversar
sobre coisas inúteis, e sim sobre a minha vida. Ele perguntava até demais. Eu
gostava de saber que havia alguém interessado na minha boring life. Eu até
achava ele um pouco bonitinho, mas nem pensava em algo sexual.
Cake me ensinou que muitos gays não tem amigos héteros. E
este era o motivo: sempre que um hétero se aproxima de um gay, seja esse gay ou
bi assumido ou não, eles começam a ver o tal do hetero com um interesse a mais.
E na maioria das vezes não é. É apenas um cara se aproximando de outro cara
pois ele quer uma amizade, NADA A MAIS.
E isso demorou pra eu aprender. Controlar sentimentos, a
coisa mais hard do mundo. Ninguém até aquela época sabia sobre minha
sexualidade, só alguns amigos virtuais, como o Cake.
Eu estava com ódio e ainda apaixonado pelo Steve. Quando o
Joey chegou, não acho que sobrou algum sentimento para sentir nele naquele
momento. Apenas amizade. E eu sabia que era isso que ele queria.
- júlia ozzy? really? - enviei
- eh um nome legal kkkkkkk parece roqueira, certo?
- joey só pq o Steve toca numa banda de rock n quer
dizer que ele vai cair nessa de gostar de uma fanatica por Sabbath
- Sabbath?
- Black Sabbath... Ozzy?
- oq tem a ver?
- nada… _ eu digitei rindo, não me conformando que ele não
sabia do pai do Heavy.
- bora fazer assim eu mando o convite, se ele aceitar vc pode entrar na conta dela e ter uma conversa particular com ele rsrs
- vai se fuder
- hahsuahsuauh mas serio n de muito na cara. Ele
precisa acreditar que ela existe
Eu conversava com o Joey no chat, olhando para os lados caso
o Steve estivesse vindo na minha sala. Eu estava nervoso e animado ao mesmo
tempo. Joey não sabia da minha crush no Steve. Só sabia que ele era meu chato
colega de trabalho que não parava de pegar no meu pé e que havia me xingado na frente de um cliente.
Ele criou um perfil falso no Facebook com foto de uma linda
garota chamada Júlia Ozzy. E aconteceu que o Steve aceitou ela! E até puxou
assunto.
- Oie. Blz?
- td bem gatinho, e vc?
- gatinho?? oq você é, uma prostituta do rock?? _ disse Joey no chat ao lado
- Haha, gatinho eu? To bem sim... Você mora aqui na cidade
mesmo?
- sim acabei de chegar… te adicionei pois um amigo disse
que você toca numa banda cover de Lynyrd Skynyrd e me interessei
- Você toca algo? Conhece Lynyrd??
- sim, toco baixo, bateria, guitarra, teclado, canto as
vezes... ja fui no show dos caras, massa demais.
- ta agora você ta exagerando mano
VOCÊ TOCA TUDO NUMA BANDA E TÁ
FAZENDO O QUE NESSA CIDADE FIM DE MUNDO?? – disse Joey mandando um emoji que
eu não entendia o que era, até conhecer ele ‘-‘
- joey, preciso de uma vaga na banda dele, então preciso tocar
qualquer coisa que tenha uma vaga oshe – respondi, perguntando o que era ‘-‘
- Uau...O que uma garota dessa faz nessa cidade fim de
mundo? Haha - respondeu Steve
- meus pais me obrigaram a vim junto, eu realmente preferia
morar na capital mas esse é o preço que eu pago por ter pais tão adoráveis
- Ironia? Hahaha
- ainda pergunta? kkkkk to procurando algo pra fazer, sl, passar o tempo talvez
até entrar numa banda... conhece alguém que tenha alguma vaga?
- MEU DEUS, ARRANJE UMA CAMA COM MUITAS CAMISINHAS E VÁ FICAR
ASSADA DE TANTO DAR PRA ELE. PORRA DAVE! Vc n ta pedindo uma vaga, tá
falando “me come por favor Steve, por favor”. Ele vai sacar que é fake mano :/
- joey, ele n vai sacar que é fake, essas fotos que tem no
álbum dela, os posts que ficamos compartilhando de quase um mês pra manter esse
perfil bem “acreditável”. Ele vai cair.
- ele n vai cair -.-
- Joey. Ele. Vai. Cair.
- Opa! Faz tempo que a minha turma tem procurado um
tecladista. Apesar da gente não gostar de ter mulheres na banda, acho que posso
abrir uma excessão.
- incrivel! que amorzinho vc! entao, podemos nos conhecer
pessoalmente?
- JÁ???
- cala a boca Joey
- Claro, eu saio as 18h. Então lá pelas 18h30... Tá livre
hoje?
- bom, eu só começo as aulas semana que vem, acabei de chegar... mas n conheço mts lugares aqui, entao...
- Conhece a praça?
- espero que tenha uma cama bem redonda com petalas de rosa e
luzes coloridas pro sexo de vcs dois
- deixa de ser nojento joey, eu disse que ele ia cair
Acontece que ele caiu mesmo. E eu não conseguia conter a
excitação da piada. Não conseguia parar de rir ao imaginar que ele iria
ficar plantado esperando a tal da Júlia na praça até eu chegar lá e rir da cara
dele. Eu passei o dia todo imaginando o que seria que eu iria dizer a ele
quando chegasse la.
O dia passou e eu estava cada vez mais ansioso. Ele pediu
pro chefe deixar ele sair meia hora antes do normal, disse que tinha uma prova
importante e ele tinha que estudar. Eu só ria de tudo. Prova magnífica dele.
Aposto que iria pra casa, tomar uma ducha, lavar aquele corpo maravilhoso dele, fazer a pouca barba que ele tinha, ficando cheiroso e lindo e...
PAREI
- eu n vou mais
- vc o que???
- joey, eu to nervoso cara. Eu n consigo. Falta 10 minutos
e eu ainda n sei o que dizer a ele quando chegar la
- A GENTE FICOU UM FUCKING MÊS PLANEJANDO ISSO E VOCÊ DÁ PRA
TRÁS AGORA???
- n é isso... É que eu pensei, e talvez não seja justo com
o cara... Eu sei que ele pega demais no meu pé, e tipo... Só o bolo que ela vai
dar nele já é suficiente, certo?
- n, vc foi humilhado na frente de um cliente. Precisa
humilhar ele de volta. Precisa dizer que tipo de garota perfeita ele acha que
merece, que só no sonho dele uma garota tão linda quanto ela iria gostar dele.
Precisa dizer que ele é um bosta e que vai morrer sozinho porque se acha
demais.
- q raiva é essa?? Achei que ele tivesse me humilhado, n vc. – E então usei o tal do emoji esquisito do Joey, ‘-‘
- eu n sei se já percebeu, mas eu sou um pouco vingativo.
Então...
- ce conhece o Steve??
- n... eu quis dizer do tipo, eu sou vingativo. Isso seria
o que eu iria fazer, caso ele tivesse me humilhado
A parte que o Joey não sabia era que eu amava ele. Não amar
do tipo amor, mas sim do tipo paixão. Eu achava ele extremamente sexy e quando
pensava nele, não pensava nos momentos ruins. Pensava no sorriso dele e no
quanto ele era gentil comigo antes de tudo que havia acontecido. Era isso. Ele
era gentil, era um cara bacana, era lindo.
Ele não queria ser assim comigo, pois devia pensar que se
fosse, só estaria me iludindo e me atraindo ainda mais. Então ele preferia
manter a personalidade fria e grossa. O que ele não sabia era que me atraía
muito mais.
Cheguei na praça e avistei ele lá ao longe. Ele estava muito
lindo. Com uma camisa preta, do tipo, camisa social, com o peito aberto,
mostrando os poucos pelinhos que ele tinha, mantendo um visual maduro. Uma
calça jeans, e um par de All star contrariando o que ele queria mostrar com a
camisa.
Imagino que ele também devia estar bem cheiroso. E ele
olhava muito pros lados e pro relógio de pulso.
Então tomei coragem.
- Esperando alguém?
- Dave?
- É engraçado porque tipo, que tipo de garota te adiciona em
um dia e já marca contigo pra entrar na sua banda? Uma garota linda, com um
nome estranho, com uma foto tirada na frente do espelho, loira, com posts do
Whiplash.com compartilhados no perfil. É bizarro man!
Ele engoliu a saliva. Fechou a cara e olhou para mim.
- Eu só queria que você se tocasse. Você se acha demais,
especial demais. Você não é nada. Nada do que imagina. Toca numa bandinha cover
who de uma banda who, com seu estilo todo maduro e atitudes infantis... E eu
costumava te amar, mas agora te acho patético. Seu preconceito comigo, suas
piadinhas desnecessárias no trabalho, o jeito como se afastou como se eu
fosse radioativo. Tudo isso. A verdade é que se um dia eu gostei de tu,
hoje eu quero que você se foda.
- Dave, eu nem... _ ele olhou pra baixo, notei as mãos
tremendo. Ele estava com uma puta raiva,
e naquele momento achei que talvez rolaria uma fight na praça. – Sua última
frase... Eu faço das suas minhas palavras.
E então ele saiu andando. E havia uma lágrima no rosto dele.
E havia uma lágrima no meu rosto. Então eu enxuguei e
encarei novamente. Ele olhava muito pros lados e pro relógio de pulso. Não tive
coragem de chegar nele pra dizer tudo aquilo que queria. Um bolo, uma
brincadeira virtual já era suficiente. Eu provavelmente contaria o que imaginei
acima pro Joey e guardaria a verdade para mim. E então naquela noite mesmo,
excluí o perfil da Júlia.
-- x --
Dois anos depois / 8 horas antes da festa do Joey
Cara, como eu amo Megadeth! Amo muitas bandas, gosto de
muitos estilos, tem o Heavy que é o meu favorito, tem o thrash (que na verdade
só gosto mesmo de Metallica e Megadeth), tem o hard. No mundo do rock, gosto de
quase todos estilos. Principalmente o alternativo. Rock é bom demais.
Nessa época eu estava magnificamente apaixonado por Mega. Já havia bastante tempo que eu era o chato fã da banda, mas nessa época era extremamente irritante. Meus amigos evitavam de perguntar sobre ela, e alguns até usavam ela pra me irritar, como o Nick.
E então conhecia nesses dias, alguns estilos novos, como o
Folk e o Indie. Bandas como Imagine Dragons, Lorde, Panic at the Disco,
Florence and the Machine, muitas músicas que me faziam viajar. E eu amava pois
foi nessa época que comecei a escrever pra você e esse era o melhor estilo para
me acalmar.
- É música de viadinho.
- Não é não. Fabio, o que você acha da Lorde?
- Dave, eu concordo com a Rachel dessa vez... _ disse Fabio
rindo
Eu me sentia um pouco mal, mas só um pouco. Qual é, eu era
incrível, gostar de clichês gays só porque eu era bissexual não iria mudar minha
personalidade. Rock alternativo e Indie é foda, e não seria um clichê que iria
mudar minha opinião.
- Ta aqui em algum lugar... _ disse o Fabio procurando as
chaves na mochila
- Anda logo vey, esse sol do caralho ta me deixando com
cheiro de churrasco.
- Uma picanha bem gordurosa Rach.
- Teu cu.
Eu amava zuar a minha irmã e ela me zoava pakas também. A gente sabia que não era por maldade e isso era o mais legal. Ela até me zoava
de gay e eu achava irado, porque tipo, ela era a única que sabia e não me
tratava diferente por isso. Sim, nessa época eu já havia contado a ela. Contei
pra ela numa festa na casa do meu tio, quando a gente tava bem bêbado. Não
rolou nenhum drama.
Foi mais do tipo, “Gay, eu sou Rach.” E ela “an?”, e eu
rindo disse, “Rach, eu sou gay”. A gente tava muito chapado, então o que ela
fez foi rir. “Ta me dizendo que não gosta de xotas Dave? Really?” Eu respondi
que não, lógico que eu gostava, mas bundas me atraíam demais também.
Principalmente a bunda do Steve... E no dia seguinte me arrependi de ter dito
isso a ela. Não o fato de ser bissexual e sim do Steve.
- Que horas o Joey vem? _ perguntei olhando pro celular
- Ele não vai vim, a gente marcou de todo mundo sair
daqui e subir pra casa dele. Não faz sentido ele vir e depois subir... _ disse
o Fabio guardando as vodkas na geladeira
- O Nick vai vim? _ e então a Rach me respondeu dando uma
cotovelada no braço com uma cara brava.
Fabio olhou meio desconfortável, e então sentou no sofá com
a gente. A mãe dele estava lá, ela era super legal. E eles tinham um cachorro.
Ficamos assistindo algumas séries, e depois fiquei mexendo no celular, enquanto
a Rach e o Fabio jogavam no Xbox. Eu nunca fui muito fã de FPS, a não ser o
lendário Counter Strike. Então de video-games, eu quase não jogava nada com
eles.
- Dave, deixa de ser chato e larga esse celular.
- Primeiro, Dave e chato nunca podem estar na mesma frase, a
não ser quando tem um “não é” no meio. E segundo, foda-se esse jogo. Vocês são
muito boring. Eu achei que a gente viria até aqui pra fazer alguma coisa maneira,
mas eu tava enganado né...
- E o que você quer fazer Dave? Todo jogo que eu falo, você
faz aquela cara de “really” e da um adjetivo super chato sobre.
- Mas é que você só tem... jogo chato. A gente poderia sei
lá, jogar algo de tabuleiro...
- Verdade, a gente podia jogar banco imobiliário _ disse
Rach
- O fábio tem? _ eu disse já me animando
- Não, mas, a gente pode comprar... _ disse ele olhando pra
Rach
- Hoje? Agora? _ eu disse desconfiado
- Sim.. Porque você não vai la no Shopping... Certeza que lá
deve ter e não é muito longe daqui.
Fabio morava no centro e eu sabia onde o Shopping ficava, só não gostava da ideia de ir la
sozinho.
- Será que tá aberto hoje? _ disse Rach
- É sabado, nada a ver... Toma Dave, leva meu cartão. Depois
a gente racha o quanto ficar.
- Vou lá sozinho? Por que não vamos todos juntos?
- Minha mãe vai sair agora e preciso ficar aqui caso minhas irmãs cheguem.
- Elas não tem a chave? - questionei
- Dave, se quiser então a gente não compra, fica aqui
jogando COD, eu nem ligo... _ disse Rachel
Então fui com uma super cara de irritado. Claro, o Fabio precisava ficar la mas a Rach podia ser menos preguiçosa e vir comigo.
-- x --
Dois anos antes
Eu não conversava mais com o Joey... Eu sei lá, acho que
não tinha mais assunto. Tudo na minha vida que ocorria atualmente era algo
relacionado ao mundo gay. Como, eu marcar com um cara mais velho pra eu perder
a virgindade. E sobre minha relação com o Steve passar de raiva pra nada. Tipo,
nada mesmo. A gente quase não falava um com o outro, só coisas do trabalho,
como, Dave, faça isso. Ou, Steve, já fiz isso. Ou, Dave, você fez errado. Ou,
Steve, se tá ruim, me demita.
A nossa relação não era nada boa. E a secretária gostosa
loira que trabalhava com a gente - ex do boss, havia deixado a empresa. Então era apenas
eu, Steve e o chefe. E como o boss passava o dia visitando clientes, era
apenas eu e o Steve. Eu passava a maior parte do tempo mexendo no meu site,
legendando minhas séries, postando noticias das séries no meu blog. E quando
havia algum site de cliente para eu fazer, eu fazia o mais rápido possível pois
precisava da grana extra.
O tempo ia passando e eu não fazia nada de interessante na
minha vida, a não ser, sofrer. I know, não é interessante. Pareço até dramático, mas
era meio que verdade. Eu passava a maior parte do tempo sem comer, fazia duas
caminhadas de uma hora por dia, bebia muito café e água. Me masturbava com
fantasias gay. Fantasias hétero. E o meu tipo favorito, fantasias gays com
héteros. A parte boa dessa época é que eu estava mudando, digo, fisicamente.
Emagrecendo muito por causa da depre.
Eu não deixava de comer para emagrecer, eu só não sentia
vontade mesmo. E então comia o menos possível. Eu imaginava que se eu fosse
lindo e gostoso, o Steve então teria me dado uma chance. Apesar dele ser um
fucking merda do caralho trouxa irritante que se acha, eu agradeço eternamente
pelo o que ele fez. Se não fosse isso, eu não seria o que sou hoje.
A empresa mudou de local. Foi uma fase bem diferente... Um
novo carinha entraria na empresa e eu achei bacana ter alguém além do
Steve. E também achava ruim, pois o Steve
fazia muitas piadinhas internas sobre gays pro chefe, querendo me atingir e
imaginava se ele não iria fazer o mesmo com o novo colega.
Esse cara era mais velho, tinha uns 25 anos, e era legal.
Tipo, não mais o legal do mundo, pois os gostos dele me afastava bastante. O
tipo que gosta de rap e aposto que não estudou muito quando teve oportunidade, mas
muito humilde.
A empresa mudou pra um lugar bem mais longe da minha casa.
Eu gostei, pois assim, as caminhadas seriam mais longas... Também porque era
mais perto da casa da minha tia, então... e perto do trampo da Rach também,
tipo, a gente nunca se via, mas as coisas poderiam mudar.
Eu estava começando a me aceitar, aceitar que já não era
mesmo uma fase, e que pintos era algo que eu também gostava. É estranho falar desse modo,
pois, até hoje não me conformo muito... Mas é a realidade. I like cocks too.
Foi então a chegada de uma nova era. Uma nova fase. A fase
incrível da minha vida. A chegada de uma pessoa que amei demais, e ainda amo.
Mesmo que ela seja virtual. Jeffe.
Jeniffer, uma garota com seus 16 anos, com mentalidade de 30. Não, mas sério, ela era incrível. Eu tava na fase depre com o Steve então não
conversava com ninguém. Ninguém na vida real, ninguém na vida virtual,
ninguém. Era eu e minhas séries. E meu mega. E o sexo casual com pessoas casuais.
Ela mudou muito minha vida, e eu quero que você saiba disso
com detalhes. Sim, Jeniffer que eu inventei de chamar de Jeffe. Eu sentia que
devia dar um apelido irado pra uma pessoa irada, e foi aí que comecei a fazer
isso. A chegada da Jeffe virou uma fase em que eu ficava muito nesse app,
estilo Walk-Talk, chamado Zello.
Ela morava em outro estado, do lado do meu, mas a gente
sabia que iria demorar pra se ver pessoalmente, caso a gente quisesse. Então a
gente passava horas conversando sobre coisas aleatórias e engraçadas, como zuar
com bandas, pessoas, pessoas de bandas, estilos, clichês. Eu estava me
apaixonando pela Jeffe. E isso foi bem rápido. Eu prefiro contar detalhes da Jeffe num novo capítulo.
Muita coisa mudou quando esse carinha novo chegou na nossa
equipe. Max era o de 25 anos, que não me atraía em nada, mas era uma pessoa
bacana. E tinha esse irmão dele, um cara novinho, quieto, bonitinho, de 17
anos. Ele era muito lindo, e acho que ele sabia disso, pois era muito sexy. E
ele tinha uma energia tão boa, como... a energia da Rach. Quando ele estava em
um lugar, as pessoas não conseguiam ser más com ele. Ele era engraçado, tinha
um sorriso cativante, eu me atraí por ele.
- Seu irmão ainda não chegou. Ele vem com o Steve depois do
almoço. _ disse, atendendo o irmão do Max
- Ah sim, achei que ele trabalhasse aqui no turno da manhã
também.
- Sim, trabalha, mas ele visita clientes com meu chefe na
parte da manhã... então...
- Bom, posso esperar ele aqui, certo?
- Claro man, senta ae _ eu disse, puxando uma cadeira
Ele tirou a mochila e se virou pra sentar. Que bunda!
O:
Ele sempre ia la conversar com o irmão dele. Eu não sabia
bem o que ele fazia, pois quando chegava, os dois saíam. Acho que iam almoçar.
Ele estudava lá perto, então sempre chegava com uniforme da escola e a mochila.
E então o chefe disse
que ele iria fazer parte do nosso time. Ele tinha algum conhecimento de webdesign, e faria companhia pra mim. Eu já tava achando aquilo foda demais.
- Matt Daniels?
- Isso ai. E então, você ta fazendo algo novo agora?
- Bom, atualmente trabalho bastante no meu site cara, mas
parece que o boss vai pegar um grande e-commerce pra gente fazer. Coisa grande
mesmo, o site da Tim aqui da região.
- Uau!
- Pois é. Eles querem um só pra região pra eles venderem as
mercadorias diferenciadas que a operadora tem aqui.. Só pretexto pra eles
ganharem algo por fora, haha.
- Mas isso vai dar um trabalhão, não vai?
- Ainda pergunta? Mas me mostre seus trabalhos, já mexe com
html5?
E então uma nova amizade nascia. Ele era lindo. Não, você não
entendeu. Não dessa forma. Sim, ele era lindo visualmente, boa pinta. Mas, eu digo, lindo, humilde, gostava de Metallica – até
Avenged Sevenfold, o que eu zoava pakas de gay com ele, e engraçado, e depois
quando a gente já tinha intimidade, ele zoava com brincadeiras gays comigo.
Coisas de hétero, claro, mas eu ficava louco demais.
Matt também merece um capítulo só dele, então espera mais
um pouco que em breve eu te conto “tuto” ;)
Então nessa mesma época eu ia sempre na casa da minha
tia. Como era ali perto, quando estava cansado demais pra fazer a caminhada
cansativa pra casa, eu ia pra casa dela. E meu relacionamento com a minha tia
era maneiro porque a gente é mais amigo do que “mãe e filho”. Bebemos juntos, fazemos
piadas juntos, e eu viciei ela em American Horror Story, o que é bem irado.
E teve essa noite. Combinamos de beber umas na casa do meu
tio e depois subir pra essa casa de show noturna, onde bandas covers de rock
clássico (clássico: tipo The Beatles) tocavam.
Aconteceu que a gente bebeu demais. Muito mesmo. E então saímos bem tarde da casa do meu tio, e fomos até essa casa noturna pois ela tinha me prometido e eu sempre quis ir la conhecer o local. Levamos 8 latões de cerveja na bolsa dela, apesar que certamente, não devíamos beber mais. Claro que chegando lá o guardinha barrou a gente, pois não podia entrar com bebidas. Então desci as escadas com a minha tia, e falei pra gente beber tudo la na rua e depois entrar mais chapados que nunca.
Eu não lembro muito dessa noite, nunca lembrei. TOTALLY
VODKA EFFECTS, que nessa noite foi mais pra beer effects. Eu lembro que
carregava uma sacola com meu livro The Perks of Being a Wallflower, que havia
comprado naquele dia. Lembro que também lá tava a minha chave e minha blusa de
moletom. E lembro alguns borrões de ter visto a Rachel e os amigos dela lá.
Joey até hoje chama essa noite de “Quanto tempo cara” pois era isso que eu havia dito a noite toda com muitos abraços. Ele disse que
eu via ele a cada cinco minutos e em todas as vezes, eu chegava abraçando e
dizendo, “quanto teeeeempo cara!” e agora pensando nisso é vergonhoso... É
engraçado, porém todos os amigos da Rach estavam la, comemorando o aniversário
de alguém que não me lembro.
Eu fiquei triste no dia seguinte por saber que ela não havia
me chamado. E parecia que ela tinha muitas noites como aquela, e não me chamava
nunca. E também fiquei triste pois ninguém fica feliz ao saber de quantos micos
ela passou na frente de amigos da irmã, o que deve ter deixado ela bem
desconfortável.
Aconteceu um fato desagradável nessa noite, em que minha tia
apenas olhou e gritou algo como “Vamos embora agora!”. Era algo relacionado a
mim, e um amigo da Rachel, que era amigo meu. E então as coisas ficaram bem
fudidas.
--x –
Dois anos depois / 4 horas antes da festa do Joey
Já estamos na casa do Joey. A tal festa ainda não tinha
começado, só tava os amigos mais próximos, a gangue. Eu, Rachel, Nick, Joey,
Fabio e Caique. Ah! Não falei do Caique ainda pra você. Ele era um amigo da
Rach e do Fabio, na época da escola. Guitarrista, e um fanático por Metallica.
Minha irmã puxava muito o saco dele por ele tocar guitarra tão bem. Ele era
magrinho, branco não tão claro, cabelo curtinho preto, e bem bonitinho. E bem
quieto, tipo, quieto mesmo.
Quando eu conheci o Joey, achei ele muito quieto. Porém, ele
com o Fabio, quando os dois se juntavam, pareciam dois pestinhas de 6 anos.
Bagunceiros e com brincadeiras de lutinhas idiotas e engraçadas.
O caique não, ele não parecia meio quieto, ele era. Mas
tipo, era um cara bacana, com uma alma boa. Só pelo fato dele aturar minhas
piadinhas com “merdallica”, já era um tremendo guerreiro. E ele era o único que
eu não ficava bravo quando zuava mega, pois ele era tão legal, sakas? Todos
gostavam do Caique, todos.
E caso eu ainda não tenha te dito, o Joey é um lolzeiro que
toca numa banda cover de Red Hot. Ele é baixista. A maioria dos amigos da minha
irmã tinha algo fantástico neles. Ou tocavam algo, ou cantavam, ou como o
Fabio, que cantava e tocava violão bem pra caralho.
Só o Nick que não fazia parte dessa trupe, - isso porque ele nunca foi amigo da fase da escola. Ele era amigo recente do Fabio, do emprego do Fabio. Por isso a gente se dava tão bem, porque na trupe, a gente não se sentia excluído. Enquanto todos tocavam algo e minha irmã fazia o papel da amiga gostosa, eu e o Nick fazia a parte dos amigos-amigos. Sem nenhum talento fodastico, a não ser, ser engraçado e gostoso pra caralho.
Só o Nick que não fazia parte dessa trupe, - isso porque ele nunca foi amigo da fase da escola. Ele era amigo recente do Fabio, do emprego do Fabio. Por isso a gente se dava tão bem, porque na trupe, a gente não se sentia excluído. Enquanto todos tocavam algo e minha irmã fazia o papel da amiga gostosa, eu e o Nick fazia a parte dos amigos-amigos. Sem nenhum talento fodastico, a não ser, ser engraçado e gostoso pra caralho.
Joey, Fabio e Caique passavam o som, enquanto eu ficava
sentado no meio da Rach e do Nick. Era um clima bem tenso, pois eu queria muito
conversar com um dos dois, mas conversar do tipo, pra caralho. Só que eu não
podia fazer isso, pois, se eu escolhesse um, o outro ficaria se sentindo
excluido da festa e isso seria chato pra caralho da minha parte.
E então os dois começaram a ficar alegrinhos por causa da
bebida, e soltar as asinhas de fora.
- Dave, passa essa bebida verde pra mim? _ disse a Rach
apontando pra mesa perto do Nick
- Dave, eu trouxe esse coquetel, fala pra sua irmã que fico
maravilhado dela se interessar nele, então, pega uns gelos la dentro pra ela,
fica mais gostoso ainda.
- Dave, fale pro seu amigo enfiar o coquetel onde ele bem
entender, e pega uma breja pra mim la dentro.
- EU NÃO SOU A PORRA DE UM EMPREGADO DE VOCÊS DOIS!
- Tudo bem, eu mesma pego. _ disse Rach se levantando
Então fui me sentar ao lado do Nick.
- O que foi isso? Que infantilidade cara... Esse não é o
Nick que eu conheço.
- Cara, eu não aguento mais... Acho que vou embora...
- Não vai não porra! Essa noite é especial pro Joey, vocês
dois estão sendo egoístas. E o que vocês combinaram pro Fabio? Ia ficar de boa, certo?
- Sim, mas...
- Mas nada. E você nem trouxe isso!
- Claro que eu trouxe.
- Ah é mesmo? E desde quando você começou a gostar de Menta?
- Não é de menta...
- Isso é licor de menta, onde tirou que era coquetel? Vocês
dois parecem duas criancinhas brigando. _ disse provando o gosto ruim da bebida
verde _ TOCA RAUL!
Caique olhou rindo. Era maneiro aquele momento, eles
passando o som e tocando músicas legais.
- A mãe do Joey é um amor né? _ disse Rach se sentando ao
meu lado, e perto do Nick
- É... E o mais legal é que ela não finge isso né
Dave... Haha
Dei uma cotovelada no Nick.
- O que disse? _ disse Rach olhando pro Nick
- Não comecem... Meu Deus. _ eu disse irado de raiva. Eu
queria pegar os dois e bater tanto até eles voltarem a ser normais
- Olha, o Fabio já olhou pra cá duas vezes... Vocês acham
justo isso? É a noite do Joey...
Minha irmã se levantou e foi até la na frente conversar com
o Caique. A gente tava na área da casa do Joey. Um lugar grande e bonito, com
uma daquelas churrasqueiras fixas de parede, luzes coloridas, tudo bem elegante.
Uma escada que dava a um lugar em cima da casa, como uma laje. Com uma bela
vista e um cachorrinho super chato preso que não gostava de visitas.
Algum tempo se passou, e eu já tava tonto o suficiente pra
não me preocupar mais com as briguinhas da Rachel com o Nick. Era um momento
legal, os pais do Joey eram legais, quase não saíam la fora, e a gente bebia
comendo churrasco. Eu só bebia.
- Posso conversar com você cara?
- Claro Dave, o que foi mano?
- Não Nick, em outro lugar... Lá em cima tem
- Um copo de bebida com veneno, quem bebeu morreu, o azar é
só
- Nick, eu to falando sério. Porque vocês ficam bêbados tão
rápido?
- Own, vai ficar bravinho? Quem é Dave bravinho? *fazendo
voz de nenem* (UM NENEM RETARDADO) Quem é o Dave
- Nick...
- Ta. Relaxa abigo.
- Então, podemos conversar? Lá em cima (FAZENDO CARA DE “SE
VOCÊ CANTAR EU ENFIO ESSA GARRAFA NA TUA GARGANTA”). - tem um lugar que parece
uma laje, subindo as escadas... Tem um cachorro la, mas acho que a gente vai
ficar bem.
- Se quer me agarrar, agarra aqui mesmo mano, to tonto
demais pra escadas.
- Vai se fuder. _ disse rindo e puxei ele pra laje
-- x --
Dois anos antes
Minha irmã foi no meu trabalho. Não foi um reencontro muito
legal, pois ela estava quase chorando, mas foi bom reve-la. Ela na época estava
namorando o Elton, o cara que eu detestava, tanto quanto o Steve, e naquele dia
ela veio me dizer que havia terminado. Só que após alguns dias, ela disse que
havia voltado, mas não iria morar com ele naquele fim de mundo. Só iria manter
a relação.
E então ela começou a ir no meu trabalho diariamente, a
gente não-almoçava juntos. Era bem legal. Ela me contava coisas sobre a vida
dela e eu sobre a minha. Foi nessa época que após a festa na casa do meu tio,
eu contei ela sobre o fato de eu ser bissexual. E então, ela me perguntava
muito do Steve e coisas do gênero... A gente tava voltando a ficar cada vez
mais próximo.
Meu emprego mudou de local novamente. Nessa fase eu já
odiava 100% o Steve e sentia muita atração no Matt. A gente era melhores
amigos. Mas minha atração era só fisica, apesar de eu querer fazer coisas com
ele, na realidade, eu penso que queria apenas ser como ele. Não fazer sexo. Ele era
extremamente gostoso, mas eu amava ele como um amigo mesmo. Penso que era mais o desejo de ser do que o desejo de ter.
E era uma época legal, eu tava obcecado ainda por mega,
muito amigo da Jeffe, tinha feitos novos amigos com a Jeffe, como a Paulen e a
turma dela. Paulen é uma lésbica extremamente gostosa que se acha pra caralho.
Tipo, muito. Ela é fã de Joan Jett e David Bowie, com uma personalidade fora do
comum. A mesma que a Jeffe tinha, fã de Beatles, Ramones e a maior parte do
mundo Punk.
Essa época foi a época que decidi sair pra viver a vida, eu
já tava lindo, já recebia cantadas nas noites de farra, tava magro…
E preciso deixar uma coisa clara aqui querido leitor: por mais que eu tenha insinuado isto, ser
gordo não é algo ruim. Mas era para mim. Agora estou feliz e contente com meu corpo - sendo magro. O que quero dizer, é que se você, caro leitor, for gordo demais, alto demais, baixo demais, qualquer coisa que
esteja fora do padrão de beleza atual, não se importe. Eu falo isso sério. Meus
dentes não são os mais lindos do mundo, são tortos. Isso desde criança, pois eu
deveria ter usado um aparelho especial (que se eu fosse colocar hoje eu precisaria vender um rim). FUCKING MOM. E eu não gosto de tirar fotos sorrindo mas apenas porque acho que
fico com cara de besta. Não é por causa do meu sorriso. Eu rio pra caralho
quando estou com meus amigos, sempre faço piadas. E sempre fui o tipo de cara
que anima a turma, que gosta de ser o centro das atenções, não me privaria de
rir só porque não tenho os dentes mais perfeitos do mundo. Eles são tortos.
Foda-se. Quem disse que é errado ter os dentes tortos? Eu estou saudável. Eles
estão limpos. E isso é o que importa, estar bem com a saúde. A parte
da aparência só é ruim se começar a TE incomodar, do contrário, aceite isso.
Pois se você não gostar de você mesmo, quem irá? Ser gordo era um problema PARA MIM, mas não é um problema para todos. Se você está contente com sua aparência, isso é o que realmente importa.
Voltando ao assunto, nessa época decidi viver a vida de
adolescente. Comecei a sair com a minha irmã e me aproximar dos amigos dela.
Tinha esse melhor amigo dela, que ela sempre falava, o tal do ruivinho cantor
Fabio. E parecia que ele era o centro de tudo. Apesar de eu sempre achar que
era minha irmã, após alguns acontecimentos futuros, vi que estava errado.
Eu sempre saía do meu trampo na hora do almoço, encontrava
com a Rach e a gente ia não-almoçar juntos na casa do Fabio. A gente passava la
no trampo dele, e esperava ele sair. E então voltava o caminho todo, apenas
conversando, todo dia. Deixava o Fabio na casa dele, e depois voltávamos
sozinhos pro nosso emprego. Era incrível. Não, sério, você não sabe, lembrando
disso agora, eu chego a chorar, pois, eu não sabia que era tão bom.
- Você viu aquele amigo do Fabio hoje?
- Qual dos dois? O bonitinho, sim ou claro?
- Yep... Eu não gostava dele, achava ele super irritante,
metido. Mas o Fabio disse que ele era só tímido mesmo.
- E...
- Ah, acho ele muito lindo.
- É, mais ou menos...
- O nome dele é Nick... Dave, ele é muito lindo.
- Ele ficou quieto o caminho todo, parece um pamonha, a
única coisa que poderia fazer com ele seria tipo, “Você faz isso. Agora pega
nisso. Agora enfia isso”, sério, que boring, vai por mim....
- Claro que não _ disse Rach rindo _ Ele faz academia, viu
aqueles braços?
- É tão bom lembrar que você ta namorando... Como vai meu
querido Elton?
- Acho que vou terminar com ele...
- Sério? De novo? E a volta tá marcada pra quando? Dois ou
três dias após o término?
- Por que você tem que ser tão grosso?
- Porque eu te amo minha querida irmãzinha. Até amanhã.
Abracei ela meio que não querendo, só pra irritar mesmo. Ela
me deu um beijo e entrou.
Então tinha esses dois amigos do Fabio que trabalhava com ele e ia andar com a gente até a casa dele diariamente, um tal de Wesley e o Nick. Nick era lindo e quietão, e tinha uma risada muito engraçada. E fazia elogios bacanas, como uma vez disse: “como que você só tem camiseta foda?!”, - isso porque eu só usava camisas de bandas e de jogos irados, como God of War. Ele era muito legal, tipo, eu gostava dele mesmo não conversando muito.
Algum tempo depois, a Rach conversava muito com o Nick, e eu
fiquei sabendo que o Fabio ia ajeitar os dois pra ficar. Rach tinha acabado de
se separar do Elton, namoro de longa duração (ela era uma guerreira, pra
namorar um cara chato e sem conteúdo como ele, além de feio). Isso numa terça.
E na sexta a gente já tinha combinado de ir nós quatro pra aquela casa de show
noturna, a mesma que passei vergonha com a minha tia.
E naquela noite, os dois acabaram ficando. Eu achei foda. Eu
gostava muito do Nick, ele era um bom amigo, e seria o casal mais lindo do
mundo. Só que os dois combinaram que não queriam relacionamento sério, só
amigos de foda, o que achei mais irado ainda. E então pra eu agradar muito o
Elton, eu tirei uma foto dos dois se beijando naquela noite, e postei na mesma
hora no Facebook, marcando ela e o Nick. Uma legenda simples, com “Wow,
lovely”.
Foi uma noite foda, bebemos muito e nos divertimos pra
caralho. A gente ficava cada mais próximo, nós quatro. Eu com o Nick,
principalmente, ele era aquele amigo puro, com sentimento tão lindo, o amigo
que sempre quis ter. Não havia maldade no coração dele, e ele não se
aproveitava de pessoas. Ele era o tipo que conhece, escuta coisas e entende e
fica quieto sobre elas, e não tenta dormir com pessoas mesmo que tivesse a
oportunidade. O caso dele com a minha irmã só aconteceu pois ela queria demais.
Se dependesse dele tomar atitude, nós quatro estaríamos até hoje rindo das
cantadas que ela jogava nele e ele todo loading não entendia.
- Minha irmã é tão gostosa quanto a Megan Fox né cara?
- Baisbenos Dave, baisobenos.. _ disse Nick completamente
bebado, e rindo, e olhando pros lados pra certificar que ela não estava por
perto
- Amo demais ela cara, e eu gosto demais de tu. Torço por
vocês.
- Sim, mas você sabe, não é nada sério, ela acabou de sair
de um relacionamento, então...
- Yeah, yeah, right... Mas sério, to feliz por vocês cara. _
e então ele veio e me deu um abraço.
Aquele abraço do Nick. Era um momento maneiro.
Aquele abraço do Nick. Era um momento maneiro.
—x—
Eu trabalhava naquele local incrível, era um prédio, um
grande apartamento, e eu tinha minha própria mesa com meu telefone e minhas
gavetas com minhas coisas. Era bem irado. E o fato engraçado é que quando eu
lembro dessa época, eu não consigo lembrar muito da fase horrorosa que era
conviver DIARIAMENTE com o detestável do Steve.
Eu era muito amigo do Matt, e amava conversar com ele. A
mesa dele era do lado da minha, então a gente passava o dia todo juntos. Só que
o Steve viu o quanto eu fiquei próximo do Matt, e começou a usar isso contra
mim, fazendo aquelas piadinhas desnecessárias, e até se aproximando propositalmente
do Matt pra me fazer ciumes. Só que isso ocorria do modo contrário, pois o Matt
gostava mesmo de mim, e isso deixava o Steve puto.
Nessa mesma época eu saía sempre com a gangue, eu, Rach,
Nick, Fabio, Joey e Caique. A gente também mantia uma relação virtual, só que
só os homens da trupe. Era um grupo no face e no whatsapp conversando coisas
desnecessárias o dia todo, como League of Legends, rock, e coisas bestas do
dia-a-dia. Minha irmã não tinha Whats, então esse foi o pretexto que o Fabio
deu por não colocar ela no grupo. O do face acho que ela nunca soube, então,
ele não precisou inventar nenhuma desculpa. O fato é que era o lugar dos
homens, da gente falar zuera, memes de bandas, falar de sexo a vontade sem se
sentir culpado por ela estar la.
E eu havia voltado a conversar com o Joey virtualmente,
tipo, sempre. Ele puxava muito assunto, então, não tinha como esquecer. Eu até
sentia falta nos dias que ele não chamava. E pior que quando a gente se
encontrava pessoalmente, ele parecia outra pessoa. Não conversava muito comigo,
acho que talvez fosse o fato de ele ser muito próximo do Fabio e não sobrar
tempo por causa das brincadeirinhas dos dois.
Nessa mesma época, algo foda aconteceu. Minha irmã passou no
meu emprego na hora do almoço, como costumava fazer, e me disse que não iríamos
buscar o Fabio. Os dois haviam brigado. Eu nunca tinha visto alguém da trupe
brigar, a não ser o Fabio com o Joey, ou Eu e a Rach, então, foi bem diferente.
Ela disse que ele pediu um tempo pra ela e que ele estava muito confuso sobre
tudo que acontecia ultimamente. Eu não entendi, pois, não havia acontecido nada
demais. A não ser a Rach se aproximado do Nick e os dois manterem aquela
relação de amigos-de-foda, que na verdade já era um namoro mesmo.
- O Fabio é gay! Eu sempre soube! _ eu disse gritando
- Claro que não... Será? _ Rach disse mexendo na bolsa,
enquanto desciamos a rua para a praça
- Só pode. Vocês dois sempre foram amigos, faz o que, três
anos? E você me disse que já tentou ficar com ele e ele te deu um fora, certo?
- Não foi fora Dave, ele é diferente, já disse.. Ele tem
alma de artista, não pensa naquelas coisas como vocês homens pensam.
- Aham! E o Barack Obama é branco e pegou uma doença contrária
do Michael.
- É só que... Eu não entendo...
- Faz todo sentido: ele era apaixonado pelo Nick e você
roubou o bofe dele. Que maldade!
- Vai se fuder Dave, eu to falando sério cacete.
- Ok... Relaxa... Ou ele é apaixonado no Nick ou ele tem
problemas mentais.
O tempo passou e então descobrimos a verdade. Ele era
apaixonado na Rach. E ele não pediu um tempo só pra ela, pediu pro Nick também.
E deveria ser foda, pois, os dois trabalhavam juntos e se viam diariamente,
imagina o clima tenso...
O Nick pediu um tempo pra Rach. E isso deixou ela bem
abalada. O Fabio era o melhor amigo dela, e o Nick era o carinha que ela beijava,
e os dois pedirem um tempo na mesma época foi bem hard. Pelo menos ela tinha
eu. E assim seguimos juntos nos apoiando por alguns dias. Eu não podia me
aproximar da gangue, eu era irmão dela, eu lembrava ela e seria injusto com a mesma. Mas eu conversava assim mesmo com o Joey e o Nick virtualmente. Pouco, mas
conversava.
E então o Nick chegou a conclusão que o Fabio a amava e ele
devia ficar com ela. Nick amava demais o amigo pra “furar o olho” dele, disse
que o mesmo a conhecia a muito mais tempo e que ele a merecia. E então os dois
se separaram. E após algumas semanas, a trupe voltou a ficar bem. E o Fabio e a
Rach começaram a namorar escondido, comigo sabendo, óbvio.
Nick me contou que o Fabio tinha esclarecido do namoro dos
dois e perguntou se realmente tava tudo bem. Ele disse que sim, e que só queria
ver eles felizes, de verdade. E assim fomos todos nós seguindo fingir que
estava tudo bem e fingindo acreditar no mesmo.
Acabou que depois de um tempo, realmente estava tudo bem. De
verdade. A trupe já estava feliz novamente, saindo sempre, e já não era mais
estranho os beijos do Fabio com a Rach. Eu achei que estava tudo bem, até
receber uma mensagem do Nick.
“Eu e você, no bar do rock, beber umas... Preciso desabafar
cara.” E então vi que tudo estava começando a ficar fudido.
Mas o que realmente me abalou, foi a Rachel me dizer que
amava o Fabio, porem, não daquele jeito. E que achava que estava apaixonada no
Nick. Yeah, fuck.
-- x --
Dois meses depois / Festa do Joey
Subimos as escadas cabaleando, o Nick se apoiando em mim.
Tinha um cachorro chatinho, e uma linda vista. Linda mesmo, dava pra ver as
luzes da cidade, e um vento frio batia no meu rosto. Bebia aquela vodka com um
pouco de menta e me preparava pra contar aquilo pro Nick. Contar de vez. Eu
amava meus amigos, e achava que eles precisavam saber de tudo por mim.
O que aconteceu, foi que horas mais cedo antes dessa festa,
minha irmã disse que havia contado... sobre aquilo. E quando perguntei, ela
disse que a todos, na verdade. Menos o Caique. E eu fiquei muito puto, ela não
tinha o direito. E ela disse que eu devia sim ficar puto, mas que ela não fez
por mal. Disse que estava tonta, e foi há muito tempo atrás, quando a gente
tava começando a sair novamente. Na mesma época em que o Nick entrou no circulo
de amizade.
Disse que foi em uma noite na casa do Fabio e não me contou
muitos detalhes. Só citou que o Fabio riu e disse que não acreditava e que o
Nick não disse nada. E que o Joey fez piadinhas maldosas.
Era na fase em que eu não conhecia eles, e eles não me conheciam. Só tinham me
visto duas vezes na rua com a Rach, então, eu nem me importei muito.
Foi onde descobri que em todo esse momento, eles sabiam. E
não me tratavam diferente. Talvez esse era o motivo do Joey ter voltado a falar
comigo repentinamente, e puxar tanto assunto. Talvez. E foi lindo, pois, tudo
que eu tinha vivido com o Nick, foi verdadeiro. Ele sabia sobre eu gostar de
pintos e não me julgou por isso. Então ao invés de ficar puto, eu fiquei muito
contente. Eu tinha os melhores amigos do mundo.
- Eu sei que você sabe.
Olho para aquela vista, uma noite vazia com luzes ao longe.
O vento passa, lambe meu rosto e vai embora. Uma lua gorda, mal acabada, porém
brilhante. Nick não dizia nada, e isso me deixava preocupado. O álcool me dava
liberdade para voar, mas minha mente não permitia.
- Eu sei que a nossa amizade não será a mesma, mas eu tinha
que falar… Já ouvi todos os seus problemas, já servi de ombro inúmeras vezes e
não posso ter o mesmo. Nossa relação é muito unilateral cara, e eu não quero
isso… Eu quero poder contar pra você sobre tudo, sobre casos...
acontecimentos... tudo...
- Dave, eu tô pouco me importando
- Olha, eu confesso que eu fiquei surpreso quando minha irmã
me contou. Não esperava que ela fosse espalhar isso por aí…
- Ela não espalhou, ela só
- Eu digo, eu confiei demais nela… Não contei isso pra
ninguém. Não contei nem pra mim. O fato de eu ser bissexual não muda meu
caráter, e sim o das pessoas a minha volta.
- Dave, eu to pouco me importando. De verdade. Eu não vejo
pessoas pela orientação sexual, eu gosto do que você é. Você não é um
bissexual. Não existe isso. Não existe “meu primo, ele é gay”, isso é tolice, uma
coisa idiota de se dizer. Você não diz “eu conheci um cara do trabalho, ele é
legal, ele é hetero”, não, você apenas diz que ele é legal.
- Nick...
- Cara, eu te amo, mas você as vezes é idiota demais. Para
de tornar sua orientação sexual como se fosse algo grande, pois não é. Ninguém
é especial por ser bissexual ou hétero. Se você acha isso, então comece a mudar.
Eu senti uma coisa tão gostosa no peito, e eu tava quase
chorando, eu só queria abraçar ele.
- Eu não sei o que dizer...
- Para de ser clichê. Beleza?
- Beleza... _ eu disse rindo
- Cara, eu não suporto a Rachel._ ele disse, pegando o copo de vodka da minha mão
Eu não consegui ouvir direito, e ele repetiu mais alto. E
então disse que nunca havia esquecido ela e que esse clima dos dois só atraía
ele ainda mais. E que ele não aguentava mais.
- Eu gosto do Fabio, Nick, mas sério, eu torcia muito por
vocês dois.
- Mano, acho que vou me afastar. Não tem outra forma...
- Logico que não! Você é doente? Assim ela e o Fabio vão
terminar tudo, e bye bye a gangue. Eu sei, falando assim parece egoísmo meu,
mas...
- Eu amo a Rachel.
- Você o quê?! _ disse Joey saindo do meio da escuridão,
onde nos espiava.
A vodka molha minha calça. Escuto o barulho do copo se
multiplicando no chão, mas não dou importância. Esperava que o vazio daquela
noite fosse apenas um pesadelo, onde eu iria acordar, e sentir minhas calças
molhadas… e não pela vodka.
Então Nick saiu atrás do Joey, onde puxei o braço dele e
balancei a cabeça que não.
- E se ele contar pra alguém?
- Ele não vai. Confia em mim.
Então Nick me abraçou. E foi um abraço lindo, pois eu
precisava daquilo tanto quanto ele. E depois de um bom tempo abraçando, ele se
afastou com uma piadinha boba das de sempre.
- Ta, chega de viadagem que isso não é coisa te chesus.
- Trouxa – eu disse dando um murro no braço dele.
-- / --
Joey e Fabio eram amigos de infância. O medo que o Nick
tinha do Joey abrir a maldita boca e contar tudo, era o mesmo que eu sentia –
só que da minha parte, um egoísmo. Meu maior medo era a gangue acabar. Então
preferia que fosse apenas um sonho, pois, eu não queria que a amizade do Nick
com o Fabio acabasse. Nem que a amizade da Rach com o Nick acabasse. Eu só
queria as coisas normais, que voltassem a ser como eram.
Descemos as escadas e fingimos estar tudo bem. Joey olhava
meio torto pro Nick, mas acho que ele só queria uma conversa. E então ficamos
bebendo e curtindo a música até tarde. Eu já tava tonto demais, mas não parava
de beber. Então jogamos a brincadeira da garrafa, “Verdade ou Desafio” e o Joey
foi desafiado a dançar Call Me Maybe, a melhor parte da noite.
Ele sabia mesmo a coreografia e até tirava a camiseta, foi
hilário. E então a garrafa parou do Fabio pro Nick, e o Fabio perguntou quem
daquele lugar era a pessoa que o Nick mais amava. E então ficou aquele clima
tenso e ele disse “Eu, porque sou foda pra caralho”. O Fabio não aceitou a
resposta, e então o Nick se levantou. Rachel tava do meu lado e ficou meio
nervosa. Ele então chegou até nós.
- Eu não queria dizer isso, mas, é verdade. Dave, se
levante, deixa eu abraçar a coisa que mais gosto aqui entre vocês.
Me levantei meio nervoso e tímido.
- Fabio, não é “Quem”, e sim “O que". Megadeth cara, podem dizer, é foda ou não é? É
a coisa que eu mais amo!
E eu ri pra caralho, pois eles todos sempre estavam zuando
Mega dizendo que Metallica era melhor e coisas do gênero, só pra me irritar. Até
o Nick mesmo, dizia coisas chatas pra caralho pra me ver puto, e parece que
naquela noite, Mega tinha salvado a alma dele.
- Sério mano, quero essa camisa pra mim!
Todos começaram a rir e eu mandei ele se fuder.
- Mega é foda, flw? _ eu disse mostrando o dedo do meio
E então era minha vez de girar a garrafa. Rachel olhou pro
Nick, deu aquela risada, e então senti que as coisas ficariam bem. E ficaram.
Os dois acabaram tendo uma conversa e resolveram ficar em paz. E naquela noite
ainda, fiquei sabendo que o Joey teve uma DR com o Nick. Talvez as coisas
realmente voltariam ao normal.
O motivo da gangue ter acabado, meses mais tarde, foi citado
nessa noite. Mas a gente nem imaginava que o efeito seria o contrário.
Após todos terem ido dormir, eu fiquei nervoso demais pra
deitar. Eu havia bebido demais e AINDA era inseguro sobre dormir e sei lá,
mijar na cama. Eu já havia dormido varias noites na casa do Fabio, das nossas
farras semanais, mas la era diferente, um local diferente. E sei lá, a trupe
toda tava la, não seria nada legal.
Fiquei na escada, esperando a hora passar. Só precisava
esperar chegar 6h da manhã, eram 4 e pouco. Fiquei bebendo sozinho, até que o
Joey chegou.
- Cara, ta tarde, bora dormir.
- Ah mano, nem rola, to sem sono, dormi o dia todo, agora
fode hard... (FUCKING OUT LIE)
- Ta, mas evita de subir la em cima, aquela cachorra maldita
vai acordar meu pais.
- De boa. _ disse rindo, pois tinha quase certeza que era
macho _ Joey, por que?
- Porque ta tarde? Porque meus pais são chatos? Porque é bom
dormir sem latidos?
- Não... Não é isso, oshe... _ eu disse, escostando na
parede, pra ele sentar ao meu lado _ Por que você é tão diferente comigo
pessoalmente?
- Como assim?
- Ah, você não conversa...
- A gente ta conversando...
- Sim, mas eu digo, quando ta a trupe
- Não chame disso, por favor _ disse ele rindo
- Whatever, quando ta todo mundo, você quase não fala
comigo...
- Ah... Sei la.
- Sei lá? Isso é a sua explicação descente?
- Eu vou começar, ok? _ disse ele se levantando _ Agora bora
dormir mano, você vai ficar aqui sozinho?
- Se preocupa não, to tonto demais pra me importar.
Ele então entrou. E após um tempo eu também entrei. Fiquei
deitado na sala, onde tinha uma grande cama de casal. Nela tava apenas o Fabio.
Caique num sofa ao lado e o Nick no outro. E minha irmã num quarto separado.
Após algum tempo, começando a cochilar, Nick me acordou.
- Ow, vamo la pra fora mano, se não tu vai sofrer a ascensão
do Joey. _ disse Nick cochichando
- An?
Me levantei e vi a
bagunça que eles estavam fazendo, tentando ficar quietos. Joey teve a incrível
ideia de passar pasta de dente na cabeça de todo mundo. Eles tentavam ficar
quietos, mas não conseguiam, ficavam rindo. E a parte engraçada, é que além do
Joey e o Caique, o Fabio também ajudou o Joey a passar pasta no cabelo da minha
irmã. Estavam todos eles sujos de pasta, só que ela não acordou. Foi bem irado
na manhã seguinte, o quase término do namoro dos dois, ela ficou muito puta,
mas achou engraçado pra caralho.
Fomos la pra fora, e nos escondemos no banheiro, pro Joey
não passar pasta na gente. Então me sentei na parede, com o celular iluminando
a escuridão. E então o Nick começou a conversar comigo via Whats, mesmo eles
estando ao meu lado. Não queria fazer barulho.
Ele disse que iria tentar esquecer o sentimento dele por ela
e que se não conseguisse, ia tentar novamente. E novamente. E novamente. Até
conseguir. Disse que não era justo, que seria egoísmo lutar por ela, sendo que
o Fabio era o melhor amigo dos dois. E então ele deitou a cabeça no meu ombro e
ficamos assim por um longo tempo. E ele estava chorando. E novamente, eu não
sabia o que fazer. Eu só fiquei parado, deixando tudo aquilo acontecer.
- Acho que vou dar uma afastada Dave.
- Acho que pode ser... _ disse meio cochichando _ Mas se
você se afastar da minha vida, eu mando hackear sua conta do LOL. _ ele riu _ E
suas bolas também.
- Meu pau não.
- Seu pau não.
E então ele encosta novamente a cabeça no meu ombro.
- Te amo Nick.
E ele então respondeu a coisa mais linda que alguém já tinha
dito pra mim. Não foi aquele clichê com três palavras, mas foi o que se tornou
para representar aquilo, na nossa linguagem. Sempre que queríamos demonstrar
afeto em público sem parecer viados demais, era aquilo que dizíamos um para
outro. E era lindo.
- Te amo Nick. _ eu disse, encostando a minha cabeça, na
cabeça dele.
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