Joey - The One Who Finds Out

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Hey... Eu não escrevo há um bom tempo... But here I am.

Eu não conseguia encontrar um jeito de dizer isso, mas… nada mudou. Muitas coisas aconteceram. Muitas. Mas os sentimentos, os fatos de como as coisas acontecem na minha vida, o drama, o clichê... nada mudou.

Neste momento, estou sentado na cadeira nada-confortável no meu quarto, escutando Imagine Dragons e pensando o quanto isso é irônico. Tipo, eu não sou um fã da banda, mas eu escutava exatamente o mesmo quando comecei a conversar com você, no ano passado. Lembra, o famoso Night Visions. Agora relaxo para escrever, com um pouco (muito?) de Smoke & Mirrors.

Eu fiquei de te contar da noite em que o Joey escuta algo que não deveria ter escutado, e as coisas ficam bem fodidas. E acabou que eu nunca terminei de escrever. Nenhuma razão em especial. Então, vamos voltar onde parei.

(I’m so sorry é caralhuda!)

- Joey, the One Who Finds Out –

- Eu sei que você sabe. _ ele não respondeu.

Olho para aquela vista, uma noite vazia com luzes ao longe. O vento passa, lambe meu rosto e vai embora. Uma lua gorda, mal acabada, porém brilhante. Nick não dizia nada, e isso me deixava preocupado. O álcool me dava liberdade para voar, mas minha mente não permitia.

- Eu sei que a nossa amizade não será a mesma, mas eu tinha que falar… Já ouvi todos os seus problemas, já servi de ombro inúmeras vezes e não posso ter o mesmo. Nossa relação é muito unilateral cara, e eu não quero isso…
- Dave, eu tô pouco me importando
- Olha, eu confesso que eu fiquei surpreso quando minha irmã me contou. Não esperava que ela fosse espalhar isso por aí…
- Ela não espalhou, ela só
- Eu digo, eu confiei demais nela… Não contei isso pra ninguém. Não contei nem pra mim. O fato de eu ser bissexual não muda meu caráter, e sim o das pessoas a minha volta
- Você o quê?! _ disse Joey saindo do meio da escuridão, onde nos espiava.

A vodka molha minha calça. Escuto o barulho do copo se multiplicando no chão, mas não dou importância. Esperava que o vazio daquela noite fosse apenas um pesadelo, onde eu iria acordar, e sentir minhas calças molhadas… e não pela vodka.

-- x --

Dois anos antes

Aniversário da minha irmã. Sim, eu estava muito ansioso. Eu quase não saía, não tinha muitos amigos... não tinha amigos. Nesta época eu não me preocupava muito com isso, eu tinha meus sites e meus amigos virtuais. Era maneiro.

Minha irmã sempre me amou demais, tipo, muito mesmo. Isso sempre foi mútuo. A gente não sabe qual é o nosso problema – irmãos costumam se odiar, certo? Acontece que ela é e sempre foi a pessoa que mais amei na vida. A única que chamo de “Família”. Comemorar o aniversário dela naquele ano não era apenas incrível pelo fato de que ela fazia 18, mas também porque eu tinha grandes novidades.

Eu estava trabalhando na área que eu tanto amava. Eu tava emagrecendo, me sentindo bem, talvez até feliz. Mesmo com o acontecimento da paixão pelo Steve, eu estava feliz. E eu queria que ela soubesse disso. Eu queria contar tudo a ela. Mas quando a encontrei naquela noite, descobri o quanto estávamos afastados. O namoro dela com o Elton só ferrou a nossa amizade.

Mas não era apenas isso. Eram os acontecimentos recentes. Meus sentimentos. Minhas sensações estranhas pelo corpo masculino. O quanto eu me excitava pela palavra cueca. Rachel era minha única e melhor amiga, mas não podia mais contar com ela. Eu achava que era só uma fase, e que eu iria voltar a ser o virjão de sempre, mas não era verdade.

A encontrei na praça, ponto de encontro para os convidados da “festa”. Ela iria comemorar no Bar do Rock, um não-famoso, mas muito bem frequentável bar na minha cidade. Eu já tinha ouvido falar, e apesar de eu ser onze meses mais novo que ela, não achei que seria problema beber naquela noite.

Ela estava linda. Aquele sorriso cativante, e aquela energia gostosa que ela sempre teve. Só que aquela noite era dela, não nossa. Eu até tentava me enturmar, mas quem iria querer conversar com o irmão-gordo-feio mais novo da aniversariante linda e magnífica?

Tinha esse carinha de cabelo longo e piercings no rosto. Ele ria bastante e gostava de falar bem alto. Tinha esse outro, careca, com alargadores nas orelhas. Bem bonito e parecia ser um cara bem bacana. Eu sei o que você deve estar pensando, mas não, eu não fiquei só notando os amigos machos da minha irmã. Ela não tinha amigas. Nunca teve muitas. Tirando minha outra irmã, Emma, não havia outras garotas no grupo.

Eu tentava puxar assunto com a Emma, e ria das piadas que os amigos da Rach contava. O bar é no estilo daqueles pubs 80’s americanos, com paredes velhas e muitos posters de bandas. O incrível eram as fotos, coladas nas paredes velhas. Fotos com muitas histórias de noites como aquela que eu estava tendo. O dono do Bar, Gerard, sempre tirava uma foto com todos na frente do local. Ficava irado.

Estava tocando um show do Dio na grande TV, com grandes caixas de som. Era um local divertido, mesmo eu não ficando muito animado. Aconteceu que cansado de observar, eu resolvi entrar no assunto.

O fato foi que minha irmã Rachel queria arranjar o amigo dela, Fabio, pra minha outra irmã Emma, “ficar”. Eu não sabia se devia sentir ciumes, pois não senti nem um pouco. Então a Rachel me obrigou a trocar de lugar com ele - sem o mesmo saber, claro, para que ele ficasse do lado dela.

E então, chegamos a parte importante.  Este carinha, com camisa rosa, calças coladas, e cabelo curto. Cara de nerd, atitude de nerd, papo de nerd. Ele era melhor amigo do Fabio, e era do meu estilo, caladão.

- Joey, certo?
- Isso.
- Dave, prazer. – disse, apertando firme a mão dele – Não se pode ter uma cadeira com boa visão pra TV nos dias de hoje. Que mundo estamos!?

Disse tentando parecer legal.

- Pois é. _ ele disse rindo, e meio tímido.
- E então, faz o que da vida?
- Essa é uma pergunta relativa.
- Muitas coisas são relativas. A explicação dessa pergunta só seria tediosa. O que faz pra viver?
- Ah... Eu respiro.
- Cara, a gente vai se dar muito bem! Eu faço isso quase sempre.

E então eu conhecia o Joey. Ele fazia piadas irônicas, e algumas com o Fabio (muitas) que eu não entendia nada, mas ria assim mesmo para não parecer chato. Conversei com ele a noite toda. E bebi tanto, que nem me preocupei se eu havia dito algo demais. Até porque ele parecia ser bem figurante no grupo, então o que de pior poderia acontecer?

-- x –

Dois anos depois / 12 horas antes da festa do Joey

- E então ele disse “Que seja Dave, até mais então”. Tipo, eu não entendo porque as pessoas fazem um drama todo após o sexo. Sexo é sexo. Você não marca sexo com a pessoa no primeiro dia pra então entrar num relacionamento sério. Pessoas de relacionamento sério não marcam sexo no primeiro encontro.

Eu acho que drama é o que há demais. Eu detesto que fiquem me alisando, tocando, fazendo qualquer coisa no meu corpo após o sexo. Então decidi que é isso, eu sou frio. Eu não tenho quem eu quero, então prefiro ser sozinho.  Eu até dei uma dica pra ele, disse que quando ele se sentir triste, pra ele voltar e se sentir incrível, que eu faço isso sempre e funciona.

- Dave, eu só perguntei se você vai na festa hoje a noite...
- Rachel, eu até fico triste por ser o principal e pensar na sua alma lá sem mim, mas... acho que nem rola.
- É, na sua mente você é o principal mesmo. Deve ser por isso que o Joey criou o evento no facebook chamando de Dave’s Night.
- Sério??
- Não enche meu saco não. Promete que vai?
- Vou pensar.
- Leva duas vodkas. Te amo.
- Oshe.

--x--

Dois anos antes

Eu trabalhava numa empresa com webdesign e isso eu já te contei. Fazia exatamente 4 meses que eu havia me juntado aquela equipe, e as coisas já haviam mudado demais. Após aquele surto de sentimentos esquisitos pelo Steve, o clima ficou bem tenso.

Não se apaixone por alguém da sua sala de aula. Não se apaixone por alguém no seu trabalho. E mais importante, se você for homem, não se apaixone pelo seu colega de trabalho super hétero. Porque você terá de aturar aquela pessoa por muito tempo e talvez seu lance de paixão fôda isso. As coisas ficam tensas e chatas.

Steve não conversava mais comigo como antes. Ele me olhava diferente, não puxava assuntos e pegava demais no meu pé por coisas insignificantes. Eu não reclamava, pois eu me sentia errado. Eu gostava dele, eu imaginava o corpo dele pelado quando ele sorria, eu imaginava fazer coisas com aquela bunda-branca-magnifica. Eu estava louco. Ele estava certo por me tratar mal.

Aconteceu que eu estava cansado demais com aquele clima. Então resolvi ter uma conversa com ele. No estilo DR, mas sem o relacionamento.

- Eu só quero que saiba que aquilo passou. Era uma fase, eu não gosto de você.
- Então você não gosta de mim?
- Gosto! Claro que gosto! Até demais, mas...
- Então você ainda tá naquele lance de paixão?
- Não, eu gosto como amigo. Eu não sou viado Steve, eu sei disso. Era loucura. Eu nunca tive amigos, eu acho que estava confundindo o que sentia por você (FUCKING LIE).
- Bom, você anda muito infantil ultimamente, precisa levar sério seu trabalho e...
- Você não é meu patrão, não tem que mandar em mim. Tem que cuidar da sua vida e deixar a minha.
- Viu, infantil novamente. Eu sou seu colega de trabalho, então tenho todo direito de te alertar
- Alertar?? Você me xingou na frente de um cliente. E nem é meu dever atender o telefone.
- Não da pra conversar socialmente com você. É um cabeça-dura do caralho.
.
Ele sempre fazia aquilo. Terminava uma discussão quando bem queria. E era sempre a mesma coisa, “não da pra conversar socialmente com você”. CLARO QUE DAVA! ERA SÓ VOCÊ MANTER O TOM DA VOZ BAIXO, CACETE!

Minha paixão pelo Steve mudava pra raiva. Eu tinha raiva do chefe sempre elogiar ele por coisas mínimas que ninguém se importa, como, trocar o galão de água quando estava vazio, ou, abrir as cortinas quando estava um dia bonito la fora.

Eu estava extremamente bravo com o Steve por tudo que estava acontecendo. E o que mais me atraía, era a rejeição dele. Ele me rejeitava como amigo, e isso me deixava mal pra caralho. Me sentia tão inferior a ele. As coisas precisavam mudar.

Após a noite do aniversário da Rach, eu não saí mais com ela por um bom tempo. Mas a parte legal era que o tal do Joey havia me adicionado no Facebook. E ele era tão legal, pois gostava de conversar. Não conversar sobre coisas inúteis, e sim sobre a minha vida. Ele perguntava até demais. Eu gostava de saber que havia alguém interessado na minha boring life. Eu até achava ele um pouco bonitinho, mas nem pensava em algo sexual.

Cake me ensinou que muitos gays não tem amigos héteros. E este era o motivo: sempre que um hétero se aproxima de um gay, seja esse gay ou bi assumido ou não, eles começam a ver o tal do hetero com um interesse a mais. E na maioria das vezes não é. É apenas um cara se aproximando de outro cara pois ele quer uma amizade, NADA A MAIS.

E isso demorou pra eu aprender. Controlar sentimentos, a coisa mais hard do mundo. Ninguém até aquela época sabia sobre minha sexualidade, só alguns amigos virtuais, como o Cake.

Eu estava com ódio e ainda apaixonado pelo Steve. Quando o Joey chegou, não acho que sobrou algum sentimento para sentir nele naquele momento. Apenas amizade. E eu sabia que era isso que ele queria.

- júlia ozzy? really? - enviei
- eh um nome legal kkkkkkk parece roqueira, certo?
- joey só pq o Steve toca numa banda de rock n quer dizer que ele vai cair nessa de gostar de uma fanatica por Sabbath
- Sabbath?
- Black Sabbath... Ozzy?
- oq tem a ver?
- nada… _ eu digitei rindo, não me conformando que ele não sabia do pai do Heavy.
- bora fazer assim eu mando o convite, se ele aceitar vc pode entrar na conta dela e ter uma conversa particular com ele rsrs
- vai se fuder
- hahsuahsuauh mas serio n de muito na cara. Ele precisa acreditar que ela existe

Eu conversava com o Joey no chat, olhando para os lados caso o Steve estivesse vindo na minha sala. Eu estava nervoso e animado ao mesmo tempo. Joey não sabia da minha crush no Steve. Só sabia que ele era meu chato colega de trabalho que não parava de pegar no meu pé e que havia me xingado na frente de um cliente.

Ele criou um perfil falso no Facebook com foto de uma linda garota chamada Júlia Ozzy. E aconteceu que o Steve aceitou ela! E até puxou assunto.

- Oie. Blz?
- td bem gatinho, e vc?

- gatinho?? oq você é, uma prostituta do rock?? _ disse Joey no chat ao lado

- Haha, gatinho eu? To bem sim... Você mora aqui na cidade mesmo?
- sim acabei de chegar… te adicionei pois um amigo disse que você toca numa banda cover de Lynyrd Skynyrd e me interessei
- Você toca algo? Conhece Lynyrd??
- sim, toco baixo, bateria, guitarra, teclado, canto as vezes... ja fui no show dos caras, massa demais.

- ta agora você ta exagerando mano
VOCÊ TOCA TUDO NUMA BANDA E TÁ FAZENDO O QUE NESSA CIDADE FIM DE MUNDO?? – disse Joey mandando um emoji que eu não entendia o que era, até conhecer ele ‘-‘
- joey, preciso de uma vaga na banda dele, então preciso tocar qualquer coisa que tenha uma vaga oshe – respondi, perguntando o que era ‘-‘

- Uau...O que uma garota dessa faz nessa cidade fim de mundo? Haha - respondeu Steve
- meus pais me obrigaram a vim junto, eu realmente preferia morar na capital mas esse é o preço que eu pago por ter pais tão adoráveis
- Ironia? Hahaha
- ainda pergunta? kkkkk to procurando algo pra fazer, sl, passar o tempo talvez até entrar numa banda... conhece alguém que tenha alguma vaga?

- MEU DEUS, ARRANJE UMA CAMA COM MUITAS CAMISINHAS E VÁ FICAR ASSADA DE TANTO DAR PRA ELE. PORRA DAVE! Vc n ta pedindo uma vaga, tá falando “me come por favor Steve, por favor”. Ele vai sacar que é fake mano :/
- joey, ele n vai sacar que é fake, essas fotos que tem no álbum dela, os posts que ficamos compartilhando de quase um mês pra manter esse perfil bem “acreditável”. Ele vai cair.
- ele n vai cair -.-
- Joey. Ele. Vai. Cair.

- Opa! Faz tempo que a minha turma tem procurado um tecladista. Apesar da gente não gostar de ter mulheres na banda, acho que posso abrir uma excessão.
- incrivel! que amorzinho vc! entao, podemos nos conhecer pessoalmente?

- JÁ???
- cala a boca Joey

- Claro, eu saio as 18h. Então lá pelas 18h30... Tá livre hoje?
- bom, eu só começo as aulas semana que vem, acabei de chegar... mas n conheço mts lugares aqui, entao...
- Conhece a praça?

- espero que tenha uma cama bem redonda com petalas de rosa e luzes coloridas pro sexo de vcs dois
- deixa de ser nojento joey, eu disse que ele ia cair 

Acontece que ele caiu mesmo. E eu não conseguia conter a excitação da piada. Não conseguia parar de rir ao imaginar que ele iria ficar plantado esperando a tal da Júlia na praça até eu chegar lá e rir da cara dele. Eu passei o dia todo imaginando o que seria que eu iria dizer a ele quando chegasse la.

O dia passou e eu estava cada vez mais ansioso. Ele pediu pro chefe deixar ele sair meia hora antes do normal, disse que tinha uma prova importante e ele tinha que estudar. Eu só ria de tudo. Prova magnífica dele. Aposto que iria pra casa, tomar uma ducha, lavar aquele corpo maravilhoso dele, fazer a pouca barba que ele tinha, ficando cheiroso e lindo e... PAREI

- eu n vou mais
- vc o que???
- joey, eu to nervoso cara. Eu n consigo. Falta 10 minutos e eu ainda n sei o que dizer a ele quando chegar la
- A GENTE FICOU UM FUCKING MÊS PLANEJANDO ISSO E VOCÊ DÁ PRA TRÁS AGORA???
- n é isso... É que eu pensei, e talvez não seja justo com o cara... Eu sei que ele pega demais no meu pé, e tipo... Só o bolo que ela vai dar nele já é suficiente, certo?
- n, vc foi humilhado na frente de um cliente. Precisa humilhar ele de volta. Precisa dizer que tipo de garota perfeita ele acha que merece, que só no sonho dele uma garota tão linda quanto ela iria gostar dele. Precisa dizer que ele é um bosta e que vai morrer sozinho porque se acha demais.
- q raiva é essa?? Achei que ele tivesse me humilhado, n vc. – E então usei o tal do emoji esquisito do Joey, ‘-‘
- eu n sei se já percebeu, mas eu sou um pouco vingativo. Então...
- ce conhece o Steve??
- n... eu quis dizer do tipo, eu sou vingativo. Isso seria o que eu iria fazer, caso ele tivesse me humilhado

A parte que o Joey não sabia era que eu amava ele. Não amar do tipo amor, mas sim do tipo paixão. Eu achava ele extremamente sexy e quando pensava nele, não pensava nos momentos ruins. Pensava no sorriso dele e no quanto ele era gentil comigo antes de tudo que havia acontecido. Era isso. Ele era gentil, era um cara bacana, era lindo.

Ele não queria ser assim comigo, pois devia pensar que se fosse, só estaria me iludindo e me atraindo ainda mais. Então ele preferia manter a personalidade fria e grossa. O que ele não sabia era que me atraía muito mais.

Cheguei na praça e avistei ele lá ao longe. Ele estava muito lindo. Com uma camisa preta, do tipo, camisa social, com o peito aberto, mostrando os poucos pelinhos que ele tinha, mantendo um visual maduro. Uma calça jeans, e um par de All star contrariando o que ele queria mostrar com a camisa.
Imagino que ele também devia estar bem cheiroso. E ele olhava muito pros lados e pro relógio de pulso.

Então tomei coragem.

- Esperando alguém?
- Dave?
- É engraçado porque tipo, que tipo de garota te adiciona em um dia e já marca contigo pra entrar na sua banda? Uma garota linda, com um nome estranho, com uma foto tirada na frente do espelho, loira, com posts do Whiplash.com compartilhados no perfil. É bizarro man!

Ele engoliu a saliva. Fechou a cara e olhou para mim.

- Eu só queria que você se tocasse. Você se acha demais, especial demais. Você não é nada. Nada do que imagina. Toca numa bandinha cover who de uma banda who, com seu estilo todo maduro e atitudes infantis... E eu costumava te amar, mas agora te acho patético. Seu preconceito comigo, suas piadinhas desnecessárias no trabalho, o jeito como se afastou como se eu fosse radioativo. Tudo isso. A verdade é que se um dia eu gostei de tu, hoje eu quero que você se foda.

- Dave, eu nem... _ ele olhou pra baixo, notei as mãos tremendo.  Ele estava com uma puta raiva, e naquele momento achei que talvez rolaria uma fight na praça. – Sua última frase... Eu faço das suas minhas palavras.

E então ele saiu andando. E havia uma lágrima no rosto dele.

E havia uma lágrima no meu rosto. Então eu enxuguei e encarei novamente. Ele olhava muito pros lados e pro relógio de pulso. Não tive coragem de chegar nele pra dizer tudo aquilo que queria. Um bolo, uma brincadeira virtual já era suficiente. Eu provavelmente contaria o que imaginei acima pro Joey e guardaria a verdade para mim. E então naquela noite mesmo, excluí o perfil da Júlia.

-- x --

Dois anos depois / 8 horas antes da festa do Joey

Cara, como eu amo Megadeth! Amo muitas bandas, gosto de muitos estilos, tem o Heavy que é o meu favorito, tem o thrash (que na verdade só gosto mesmo de Metallica e Megadeth), tem o hard. No mundo do rock, gosto de quase todos estilos. Principalmente o alternativo. Rock é bom demais.

Nessa época eu estava magnificamente apaixonado por Mega. Já havia bastante tempo que eu era o chato fã da banda, mas nessa época era extremamente irritante. Meus amigos evitavam de perguntar sobre ela, e alguns até usavam ela pra me irritar, como o Nick.

E então conhecia nesses dias, alguns estilos novos, como o Folk e o Indie. Bandas como Imagine Dragons, Lorde, Panic at the Disco, Florence and the Machine, muitas músicas que me faziam viajar. E eu amava pois foi nessa época que comecei a escrever pra você e esse era o melhor estilo para me acalmar.

- É música de viadinho.
- Não é não. Fabio, o que você acha da Lorde?
- Dave, eu concordo com a Rachel dessa vez... _ disse Fabio rindo

Eu me sentia um pouco mal, mas só um pouco. Qual é, eu era incrível, gostar de clichês gays só porque eu era bissexual não iria mudar minha personalidade. Rock alternativo e Indie é foda, e não seria um clichê que iria mudar minha opinião.

- Ta aqui em algum lugar... _ disse o Fabio procurando as chaves na mochila
- Anda logo vey, esse sol do caralho ta me deixando com cheiro de churrasco.
- Uma picanha bem gordurosa Rach.
- Teu cu.

Eu amava zuar a minha irmã e ela me zoava pakas também. A gente sabia que não era por maldade e isso era o mais legal. Ela até me zoava de gay e eu achava irado, porque tipo, ela era a única que sabia e não me tratava diferente por isso. Sim, nessa época eu já havia contado a ela. Contei pra ela numa festa na casa do meu tio, quando a gente tava bem bêbado. Não rolou nenhum drama.

Foi mais do tipo, “Gay, eu sou Rach.” E ela “an?”, e eu rindo disse, “Rach, eu sou gay”. A gente tava muito chapado, então o que ela fez foi rir. “Ta me dizendo que não gosta de xotas Dave? Really?” Eu respondi que não, lógico que eu gostava, mas bundas me atraíam demais também. Principalmente a bunda do Steve... E no dia seguinte me arrependi de ter dito isso a ela. Não o fato de ser bissexual e sim do Steve.

- Que horas o Joey vem? _ perguntei olhando pro celular
- Ele não vai vim, a gente marcou de todo mundo sair daqui e subir pra casa dele. Não faz sentido ele vir e depois subir... _ disse o Fabio guardando as vodkas na geladeira
- O Nick vai vim? _ e então a Rach me respondeu dando uma cotovelada no braço com uma cara brava.

Fabio olhou meio desconfortável, e então sentou no sofá com a gente. A mãe dele estava lá, ela era super legal. E eles tinham um cachorro.

Ficamos assistindo algumas séries, e depois fiquei mexendo no celular, enquanto a Rach e o Fabio jogavam no Xbox. Eu nunca fui muito fã de FPS, a não ser o lendário Counter Strike. Então de video-games, eu quase não jogava nada com eles. 

- Dave, deixa de ser chato e larga esse celular.
- Primeiro, Dave e chato nunca podem estar na mesma frase, a não ser quando tem um “não é” no meio. E segundo, foda-se esse jogo. Vocês são muito boring. Eu achei que a gente viria até aqui pra fazer alguma coisa maneira, mas eu tava enganado né...
- E o que você quer fazer Dave? Todo jogo que eu falo, você faz aquela cara de “really” e da um adjetivo super chato sobre.
- Mas é que você só tem... jogo chato. A gente poderia sei lá, jogar algo de tabuleiro...
- Verdade, a gente podia jogar banco imobiliário _ disse Rach
- O fábio tem? _ eu disse já me animando
- Não, mas, a gente pode comprar... _ disse ele olhando pra Rach
- Hoje? Agora? _ eu disse desconfiado
- Sim.. Porque você não vai la no Shopping... Certeza que lá deve ter e não é muito longe daqui.
Fabio morava no centro e eu sabia onde o Shopping ficava, só não gostava da ideia de ir la sozinho.
- Será que tá aberto hoje? _ disse Rach
- É sabado, nada a ver... Toma Dave, leva meu cartão. Depois a gente racha o quanto ficar.
- Vou lá sozinho? Por que não vamos todos juntos?
- Minha mãe vai sair agora e preciso ficar aqui caso minhas irmãs cheguem.
- Elas não tem a chave? - questionei
- Dave, se quiser então a gente não compra, fica aqui jogando COD, eu nem ligo... _ disse Rachel

Então fui com uma super cara de irritado. Claro, o Fabio precisava ficar la mas a Rach podia ser menos preguiçosa e vir comigo.

-- x --

Dois anos antes

Eu não conversava mais com o Joey... Eu sei lá, acho que não tinha mais assunto. Tudo na minha vida que ocorria atualmente era algo relacionado ao mundo gay. Como, eu marcar com um cara mais velho pra eu perder a virgindade. E sobre minha relação com o Steve passar de raiva pra nada. Tipo, nada mesmo. A gente quase não falava um com o outro, só coisas do trabalho, como, Dave, faça isso. Ou, Steve, já fiz isso. Ou, Dave, você fez errado. Ou, Steve, se tá ruim, me demita.

A nossa relação não era nada boa. E a secretária gostosa loira que trabalhava com a gente - ex do boss, havia deixado a empresa. Então era apenas eu, Steve e o chefe. E como o boss passava o dia visitando clientes, era apenas eu e o Steve. Eu passava a maior parte do tempo mexendo no meu site, legendando minhas séries, postando noticias das séries no meu blog. E quando havia algum site de cliente para eu fazer, eu fazia o mais rápido possível pois precisava da grana extra.

O tempo ia passando e eu não fazia nada de interessante na minha vida, a não ser, sofrer. I know, não é interessante. Pareço até dramático, mas era meio que verdade. Eu passava a maior parte do tempo sem comer, fazia duas caminhadas de uma hora por dia, bebia muito café e água. Me masturbava com fantasias gay. Fantasias hétero. E o meu tipo favorito, fantasias gays com héteros. A parte boa dessa época é que eu estava mudando, digo, fisicamente. Emagrecendo muito por causa da depre.

Eu não deixava de comer para emagrecer, eu só não sentia vontade mesmo. E então comia o menos possível. Eu imaginava que se eu fosse lindo e gostoso, o Steve então teria me dado uma chance. Apesar dele ser um fucking merda do caralho trouxa irritante que se acha, eu agradeço eternamente pelo o que ele fez. Se não fosse isso, eu não seria o que sou hoje.

A empresa mudou de local. Foi uma fase bem diferente... Um novo carinha entraria na empresa e eu achei bacana ter alguém além do Steve.  E também achava ruim, pois o Steve fazia muitas piadinhas internas sobre gays pro chefe, querendo me atingir e imaginava se ele não iria fazer o mesmo com o novo colega.

Esse cara era mais velho, tinha uns 25 anos, e era legal. Tipo, não mais o legal do mundo, pois os gostos dele me afastava bastante. O tipo que gosta de rap e aposto que não estudou muito quando teve oportunidade, mas muito humilde.

A empresa mudou pra um lugar bem mais longe da minha casa. Eu gostei, pois assim, as caminhadas seriam mais longas... Também porque era mais perto da casa da minha tia, então... e perto do trampo da Rach também, tipo, a gente nunca se via, mas as coisas poderiam mudar.

Eu estava começando a me aceitar, aceitar que já não era mesmo uma fase, e que pintos era algo que eu também gostava. É estranho falar desse modo, pois, até hoje não me conformo muito... Mas é a realidade. I like cocks too.

Foi então a chegada de uma nova era. Uma nova fase. A fase incrível da minha vida. A chegada de uma pessoa que amei demais, e ainda amo. Mesmo que ela seja virtual. Jeffe.

Jeniffer, uma garota com seus 16 anos, com mentalidade de 30. Não, mas sério, ela era incrível. Eu tava na fase depre com o Steve então não conversava com ninguém. Ninguém na vida real, ninguém na vida virtual, ninguém. Era eu e minhas séries. E meu mega. E o sexo casual com pessoas casuais.

Ela mudou muito minha vida, e eu quero que você saiba disso com detalhes. Sim, Jeniffer que eu inventei de chamar de Jeffe. Eu sentia que devia dar um apelido irado pra uma pessoa irada, e foi aí que comecei a fazer isso. A chegada da Jeffe virou uma fase em que eu ficava muito nesse app, estilo Walk-Talk, chamado Zello.

Ela morava em outro estado, do lado do meu, mas a gente sabia que iria demorar pra se ver pessoalmente, caso a gente quisesse. Então a gente passava horas conversando sobre coisas aleatórias e engraçadas, como zuar com bandas, pessoas, pessoas de bandas, estilos, clichês. Eu estava me apaixonando pela Jeffe. E isso foi bem rápido. Eu prefiro contar detalhes da Jeffe num novo capítulo.

Muita coisa mudou quando esse carinha novo chegou na nossa equipe. Max era o de 25 anos, que não me atraía em nada, mas era uma pessoa bacana. E tinha esse irmão dele, um cara novinho, quieto, bonitinho, de 17 anos. Ele era muito lindo, e acho que ele sabia disso, pois era muito sexy. E ele tinha uma energia tão boa, como... a energia da Rach. Quando ele estava em um lugar, as pessoas não conseguiam ser más com ele. Ele era engraçado, tinha um sorriso cativante, eu me atraí por ele.

- Seu irmão ainda não chegou. Ele vem com o Steve depois do almoço. _ disse, atendendo o irmão do Max
- Ah sim, achei que ele trabalhasse aqui no turno da manhã também.
- Sim, trabalha, mas ele visita clientes com meu chefe na parte da manhã...  então...
- Bom, posso esperar ele aqui, certo?
- Claro man, senta ae _ eu disse, puxando uma cadeira

Ele tirou a mochila e se virou pra sentar. Que bunda!

O:

Ele sempre ia la conversar com o irmão dele. Eu não sabia bem o que ele fazia, pois quando chegava, os dois saíam. Acho que iam almoçar. Ele estudava lá perto, então sempre chegava com uniforme da escola e a mochila.

 E então o chefe disse que ele iria fazer parte do nosso time. Ele tinha algum conhecimento de webdesign, e faria companhia pra mim. Eu já tava achando aquilo foda demais.

- Matt Daniels?
- Isso ai. E então, você ta fazendo algo novo agora?
- Bom, atualmente trabalho bastante no meu site cara, mas parece que o boss vai pegar um grande e-commerce pra gente fazer. Coisa grande mesmo, o site da Tim aqui da região.
- Uau!
- Pois é. Eles querem um só pra região pra eles venderem as mercadorias diferenciadas que a operadora tem aqui.. Só pretexto pra eles ganharem algo por fora, haha.
- Mas isso vai dar um trabalhão, não vai?
- Ainda pergunta? Mas me mostre seus trabalhos, já mexe com html5?

E então uma nova amizade nascia. Ele era lindo. Não, você não entendeu. Não dessa forma. Sim, ele era lindo visualmente, boa pinta. Mas, eu digo, lindo, humilde, gostava de Metallica – até Avenged Sevenfold, o que eu zoava pakas de gay com ele, e engraçado, e depois quando a gente já tinha intimidade, ele zoava com brincadeiras gays comigo. Coisas de hétero, claro, mas eu ficava louco demais.

Matt também merece um capítulo só dele, então espera mais um pouco que em breve eu te conto “tuto” ;)

Então nessa mesma época eu ia sempre na casa da minha tia. Como era ali perto, quando estava cansado demais pra fazer a caminhada cansativa pra casa, eu ia pra casa dela. E meu relacionamento com a minha tia era maneiro porque a gente é mais amigo do que “mãe e filho”. Bebemos juntos, fazemos piadas juntos, e eu viciei ela em American Horror Story, o que é bem irado.

E teve essa noite. Combinamos de beber umas na casa do meu tio e depois subir pra essa casa de show noturna, onde bandas covers de rock clássico (clássico: tipo The Beatles) tocavam.

Aconteceu que a gente bebeu demais. Muito mesmo. E então saímos bem tarde da casa do meu tio, e fomos até essa casa noturna pois ela tinha me prometido e eu sempre quis ir la conhecer o local. Levamos 8 latões de cerveja na bolsa dela, apesar que certamente, não devíamos beber mais. Claro que chegando lá o guardinha barrou a gente, pois não podia entrar com bebidas. Então desci as escadas com a minha tia, e falei pra gente beber tudo la na rua e depois entrar mais chapados que nunca.

Eu não lembro muito dessa noite, nunca lembrei. TOTALLY VODKA EFFECTS, que nessa noite foi mais pra beer effects. Eu lembro que carregava uma sacola com meu livro The Perks of Being a Wallflower, que havia comprado naquele dia. Lembro que também lá tava a minha chave e minha blusa de moletom. E lembro alguns borrões de ter visto a Rachel e os amigos dela lá.

Joey até hoje chama essa noite de “Quanto tempo cara” pois era isso que eu havia dito a noite toda com muitos abraços. Ele disse que eu via ele a cada cinco minutos e em todas as vezes, eu chegava abraçando e dizendo, “quanto teeeeempo cara!” e agora pensando nisso é vergonhoso... É engraçado, porém todos os amigos da Rach estavam la, comemorando o aniversário de alguém que não me lembro.

Eu fiquei triste no dia seguinte por saber que ela não havia me chamado. E parecia que ela tinha muitas noites como aquela, e não me chamava nunca. E também fiquei triste pois ninguém fica feliz ao saber de quantos micos ela passou na frente de amigos da irmã, o que deve ter deixado ela bem desconfortável.

Aconteceu um fato desagradável nessa noite, em que minha tia apenas olhou e gritou algo como “Vamos embora agora!”. Era algo relacionado a mim, e um amigo da Rachel, que era amigo meu. E então as coisas ficaram bem fudidas.

--x –

Dois anos depois / 4 horas antes da festa do Joey

Já estamos na casa do Joey. A tal festa ainda não tinha começado, só tava os amigos mais próximos, a gangue. Eu, Rachel, Nick, Joey, Fabio e Caique. Ah! Não falei do Caique ainda pra você. Ele era um amigo da Rach e do Fabio, na época da escola. Guitarrista, e um fanático por Metallica. Minha irmã puxava muito o saco dele por ele tocar guitarra tão bem. Ele era magrinho, branco não tão claro, cabelo curtinho preto, e bem bonitinho. E bem quieto, tipo, quieto mesmo.

Quando eu conheci o Joey, achei ele muito quieto. Porém, ele com o Fabio, quando os dois se juntavam, pareciam dois pestinhas de 6 anos. Bagunceiros e com brincadeiras de lutinhas idiotas e engraçadas.

O caique não, ele não parecia meio quieto, ele era. Mas tipo, era um cara bacana, com uma alma boa. Só pelo fato dele aturar minhas piadinhas com “merdallica”, já era um tremendo guerreiro. E ele era o único que eu não ficava bravo quando zuava mega, pois ele era tão legal, sakas? Todos gostavam do Caique, todos.

E caso eu ainda não tenha te dito, o Joey é um lolzeiro que toca numa banda cover de Red Hot. Ele é baixista. A maioria dos amigos da minha irmã tinha algo fantástico neles. Ou tocavam algo, ou cantavam, ou como o Fabio, que cantava e tocava violão bem pra caralho.

Só o Nick que não fazia parte dessa trupe, - isso porque ele nunca foi amigo da fase da escola. Ele era amigo recente do Fabio, do emprego do Fabio. Por isso a gente se dava tão bem, porque na trupe, a gente não se sentia excluído. Enquanto todos tocavam algo e minha irmã fazia o papel da amiga gostosa, eu e o Nick fazia a parte dos amigos-amigos. Sem nenhum talento fodastico, a não ser, ser engraçado e gostoso pra caralho.

Joey, Fabio e Caique passavam o som, enquanto eu ficava sentado no meio da Rach e do Nick. Era um clima bem tenso, pois eu queria muito conversar com um dos dois, mas conversar do tipo, pra caralho. Só que eu não podia fazer isso, pois, se eu escolhesse um, o outro ficaria se sentindo excluido da festa e isso seria chato pra caralho da minha parte.

E então os dois começaram a ficar alegrinhos por causa da bebida, e soltar as asinhas de fora.

- Dave, passa essa bebida verde pra mim? _ disse a Rach apontando pra mesa perto do Nick
- Dave, eu trouxe esse coquetel, fala pra sua irmã que fico maravilhado dela se interessar nele, então, pega uns gelos la dentro pra ela, fica mais gostoso ainda.
- Dave, fale pro seu amigo enfiar o coquetel onde ele bem entender, e pega uma breja pra mim la dentro.
- EU NÃO SOU A PORRA DE UM EMPREGADO DE VOCÊS DOIS!
- Tudo bem, eu mesma pego. _ disse Rach se levantando
Então fui me sentar ao lado do Nick.
- O que foi isso? Que infantilidade cara... Esse não é o Nick que eu conheço.
- Cara, eu não aguento mais... Acho que vou embora...
- Não vai não porra! Essa noite é especial pro Joey, vocês dois estão sendo egoístas. E o que vocês combinaram pro Fabio? Ia ficar de boa, certo?
- Sim, mas...
- Mas nada. E você nem trouxe isso!
- Claro que eu trouxe.
- Ah é mesmo? E desde quando você começou a gostar de Menta?
- Não é de menta...
- Isso é licor de menta, onde tirou que era coquetel? Vocês dois parecem duas criancinhas brigando. _ disse provando o gosto ruim da bebida verde _ TOCA RAUL!

Caique olhou rindo. Era maneiro aquele momento, eles passando o som e tocando músicas legais.

- A mãe do Joey é um amor né? _ disse Rach se sentando ao meu lado, e perto do Nick
- É... E o mais legal é que ela não finge isso né Dave... Haha
Dei uma cotovelada no Nick.
- O que disse? _ disse Rach olhando pro Nick
- Não comecem... Meu Deus. _ eu disse irado de raiva. Eu queria pegar os dois e bater tanto até eles voltarem a ser normais
- Olha, o Fabio já olhou pra cá duas vezes... Vocês acham justo isso? É a noite do Joey...

Minha irmã se levantou e foi até la na frente conversar com o Caique. A gente tava na área da casa do Joey. Um lugar grande e bonito, com uma daquelas churrasqueiras fixas de parede, luzes coloridas, tudo bem elegante. Uma escada que dava a um lugar em cima da casa, como uma laje. Com uma bela vista e um cachorrinho super chato preso que não gostava de visitas.

Algum tempo se passou, e eu já tava tonto o suficiente pra não me preocupar mais com as briguinhas da Rachel com o Nick. Era um momento legal, os pais do Joey eram legais, quase não saíam la fora, e a gente bebia comendo churrasco. Eu só bebia.

- Posso conversar com você cara?
- Claro Dave, o que foi mano?
- Não Nick, em outro lugar... Lá em cima tem
- Um copo de bebida com veneno, quem bebeu morreu, o azar é só
- Nick, eu to falando sério. Porque vocês ficam bêbados tão rápido?
- Own, vai ficar bravinho? Quem é Dave bravinho? *fazendo voz de nenem* (UM NENEM RETARDADO) Quem é o Dave
- Nick...
- Ta. Relaxa abigo.
- Então, podemos conversar? Lá em cima (FAZENDO CARA DE “SE VOCÊ CANTAR EU ENFIO ESSA GARRAFA NA TUA GARGANTA”). - tem um lugar que parece uma laje, subindo as escadas... Tem um cachorro la, mas acho que a gente vai ficar bem.
- Se quer me agarrar, agarra aqui mesmo mano, to tonto demais pra escadas.
- Vai se fuder. _ disse rindo e puxei ele pra laje

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Dois anos antes

Minha irmã foi no meu trabalho. Não foi um reencontro muito legal, pois ela estava quase chorando, mas foi bom reve-la. Ela na época estava namorando o Elton, o cara que eu detestava, tanto quanto o Steve, e naquele dia ela veio me dizer que havia terminado. Só que após alguns dias, ela disse que havia voltado, mas não iria morar com ele naquele fim de mundo. Só iria manter a relação.

E então ela começou a ir no meu trabalho diariamente, a gente não-almoçava juntos. Era bem legal. Ela me contava coisas sobre a vida dela e eu sobre a minha. Foi nessa época que após a festa na casa do meu tio, eu contei ela sobre o fato de eu ser bissexual. E então, ela me perguntava muito do Steve e coisas do gênero... A gente tava voltando a ficar cada vez mais próximo.

Meu emprego mudou de local novamente. Nessa fase eu já odiava 100% o Steve e sentia muita atração no Matt. A gente era melhores amigos. Mas minha atração era só fisica, apesar de eu querer fazer coisas com ele, na realidade, eu penso que queria apenas ser como ele. Não fazer sexo. Ele era extremamente gostoso, mas eu amava ele como um amigo mesmo. Penso que era mais o desejo de ser do que o desejo de ter.

E era uma época legal, eu tava obcecado ainda por mega, muito amigo da Jeffe, tinha feitos novos amigos com a Jeffe, como a Paulen e a turma dela. Paulen é uma lésbica extremamente gostosa que se acha pra caralho. Tipo, muito. Ela é fã de Joan Jett e David Bowie, com uma personalidade fora do comum. A mesma que a Jeffe tinha, fã de Beatles, Ramones e a maior parte do mundo Punk.

Essa época foi a época que decidi sair pra viver a vida, eu já tava lindo, já recebia cantadas nas noites de farra, tava magro…

E preciso deixar uma coisa clara aqui querido leitor: por mais que eu tenha insinuado isto, ser gordo não é algo ruim. Mas era para mim. Agora estou feliz e contente com meu corpo - sendo magro. O que quero dizer, é que se você, caro leitor, for gordo demais, alto demais, baixo demais, qualquer coisa que esteja fora do padrão de beleza atual, não se importe. Eu falo isso sério. Meus dentes não são os mais lindos do mundo, são tortos. Isso desde criança, pois eu deveria ter usado um aparelho especial (que se eu fosse colocar hoje eu precisaria vender um rim). FUCKING MOM. E eu não gosto de tirar fotos sorrindo mas apenas porque acho que fico com cara de besta. Não é por causa do meu sorriso. Eu rio pra caralho quando estou com meus amigos, sempre faço piadas. E sempre fui o tipo de cara que anima a turma, que gosta de ser o centro das atenções, não me privaria de rir só porque não tenho os dentes mais perfeitos do mundo. Eles são tortos. Foda-se. Quem disse que é errado ter os dentes tortos? Eu estou saudável. Eles estão limpos. E isso é o que importa, estar bem com a saúde. A parte da aparência só é ruim se começar a TE incomodar, do contrário, aceite isso. Pois se você não gostar de você mesmo, quem irá? Ser gordo era um problema PARA MIM, mas não é um problema para todos. Se você está contente com sua aparência, isso é o que realmente importa.

Voltando ao assunto, nessa época decidi viver a vida de adolescente. Comecei a sair com a minha irmã e me aproximar dos amigos dela. Tinha esse melhor amigo dela, que ela sempre falava, o tal do ruivinho cantor Fabio. E parecia que ele era o centro de tudo. Apesar de eu sempre achar que era minha irmã, após alguns acontecimentos futuros, vi que estava errado.

Eu sempre saía do meu trampo na hora do almoço, encontrava com a Rach e a gente ia não-almoçar juntos na casa do Fabio. A gente passava la no trampo dele, e esperava ele sair. E então voltava o caminho todo, apenas conversando, todo dia. Deixava o Fabio na casa dele, e depois voltávamos sozinhos pro nosso emprego. Era incrível. Não, sério, você não sabe, lembrando disso agora, eu chego a chorar, pois, eu não sabia que era tão bom.

- Você viu aquele amigo do Fabio hoje?
- Qual dos dois? O bonitinho, sim ou claro?
- Yep... Eu não gostava dele, achava ele super irritante, metido. Mas o Fabio disse que ele era só tímido mesmo.
- E...
- Ah, acho ele muito lindo.
- É, mais ou menos...
- O nome dele é Nick... Dave, ele é muito lindo.
- Ele ficou quieto o caminho todo, parece um pamonha, a única coisa que poderia fazer com ele seria tipo, “Você faz isso. Agora pega nisso. Agora enfia isso”, sério, que boring, vai por mim....
- Claro que não _ disse Rach rindo _ Ele faz academia, viu aqueles braços?
- É tão bom lembrar que você ta namorando... Como vai meu querido Elton?
- Acho que vou terminar com ele...
- Sério? De novo? E a volta tá marcada pra quando? Dois ou três dias após o término?
- Por que você tem que ser tão grosso?
- Porque eu te amo minha querida irmãzinha. Até amanhã.

Abracei ela meio que não querendo, só pra irritar mesmo. Ela me deu um beijo e entrou.

Então tinha esses dois amigos do Fabio que trabalhava com ele e ia andar com a gente até a casa dele diariamente, um tal de Wesley e o Nick. Nick era lindo e quietão, e tinha uma risada muito engraçada. E fazia elogios bacanas, como uma vez disse: “como que você só tem camiseta foda?!”, - isso porque eu só usava camisas de bandas e de jogos irados, como God of War. Ele era muito legal, tipo, eu gostava dele mesmo não conversando muito.

Algum tempo depois, a Rach conversava muito com o Nick, e eu fiquei sabendo que o Fabio ia ajeitar os dois pra ficar. Rach tinha acabado de se separar do Elton, namoro de longa duração (ela era uma guerreira, pra namorar um cara chato e sem conteúdo como ele, além de feio). Isso numa terça. E na sexta a gente já tinha combinado de ir nós quatro pra aquela casa de show noturna, a mesma que passei vergonha com a minha tia.

E naquela noite, os dois acabaram ficando. Eu achei foda. Eu gostava muito do Nick, ele era um bom amigo, e seria o casal mais lindo do mundo. Só que os dois combinaram que não queriam relacionamento sério, só amigos de foda, o que achei mais irado ainda. E então pra eu agradar muito o Elton, eu tirei uma foto dos dois se beijando naquela noite, e postei na mesma hora no Facebook, marcando ela e o Nick. Uma legenda simples, com “Wow, lovely”.

Foi uma noite foda, bebemos muito e nos divertimos pra caralho. A gente ficava cada mais próximo, nós quatro. Eu com o Nick, principalmente, ele era aquele amigo puro, com sentimento tão lindo, o amigo que sempre quis ter. Não havia maldade no coração dele, e ele não se aproveitava de pessoas. Ele era o tipo que conhece, escuta coisas e entende e fica quieto sobre elas, e não tenta dormir com pessoas mesmo que tivesse a oportunidade. O caso dele com a minha irmã só aconteceu pois ela queria demais. Se dependesse dele tomar atitude, nós quatro estaríamos até hoje rindo das cantadas que ela jogava nele e ele todo loading não entendia.

- Minha irmã é tão gostosa quanto a Megan Fox né cara?
- Baisbenos Dave, baisobenos.. _ disse Nick completamente bebado, e rindo, e olhando pros lados pra certificar que ela não estava por perto
- Amo demais ela cara, e eu gosto demais de tu. Torço por vocês.
- Sim, mas você sabe, não é nada sério, ela acabou de sair de um relacionamento, então...
- Yeah, yeah, right... Mas sério, to feliz por vocês cara. _ e então ele veio e me deu um abraço.

Aquele abraço do Nick. Era um momento maneiro.

—x—

Eu trabalhava naquele local incrível, era um prédio, um grande apartamento, e eu tinha minha própria mesa com meu telefone e minhas gavetas com minhas coisas. Era bem irado. E o fato engraçado é que quando eu lembro dessa época, eu não consigo lembrar muito da fase horrorosa que era conviver DIARIAMENTE com o detestável do Steve.

Eu era muito amigo do Matt, e amava conversar com ele. A mesa dele era do lado da minha, então a gente passava o dia todo juntos. Só que o Steve viu o quanto eu fiquei próximo do Matt, e começou a usar isso contra mim, fazendo aquelas piadinhas desnecessárias, e até se aproximando propositalmente do Matt pra me fazer ciumes. Só que isso ocorria do modo contrário, pois o Matt gostava mesmo de mim, e isso deixava o Steve puto.

Nessa mesma época eu saía sempre com a gangue, eu, Rach, Nick, Fabio, Joey e Caique. A gente também mantia uma relação virtual, só que só os homens da trupe. Era um grupo no face e no whatsapp conversando coisas desnecessárias o dia todo, como League of Legends, rock, e coisas bestas do dia-a-dia. Minha irmã não tinha Whats, então esse foi o pretexto que o Fabio deu por não colocar ela no grupo. O do face acho que ela nunca soube, então, ele não precisou inventar nenhuma desculpa. O fato é que era o lugar dos homens, da gente falar zuera, memes de bandas, falar de sexo a vontade sem se sentir culpado por ela estar la.

E eu havia voltado a conversar com o Joey virtualmente, tipo, sempre. Ele puxava muito assunto, então, não tinha como esquecer. Eu até sentia falta nos dias que ele não chamava. E pior que quando a gente se encontrava pessoalmente, ele parecia outra pessoa. Não conversava muito comigo, acho que talvez fosse o fato de ele ser muito próximo do Fabio e não sobrar tempo por causa das brincadeirinhas dos dois.

Nessa mesma época, algo foda aconteceu. Minha irmã passou no meu emprego na hora do almoço, como costumava fazer, e me disse que não iríamos buscar o Fabio. Os dois haviam brigado. Eu nunca tinha visto alguém da trupe brigar, a não ser o Fabio com o Joey, ou Eu e a Rach, então, foi bem diferente. Ela disse que ele pediu um tempo pra ela e que ele estava muito confuso sobre tudo que acontecia ultimamente. Eu não entendi, pois, não havia acontecido nada demais. A não ser a Rach se aproximado do Nick e os dois manterem aquela relação de amigos-de-foda, que na verdade já era um namoro mesmo.

- O Fabio é gay! Eu sempre soube! _ eu disse gritando
- Claro que não... Será? _ Rach disse mexendo na bolsa, enquanto desciamos a rua para a praça
- Só pode. Vocês dois sempre foram amigos, faz o que, três anos? E você me disse que já tentou ficar com ele e ele te deu um fora, certo?
- Não foi fora Dave, ele é diferente, já disse.. Ele tem alma de artista, não pensa naquelas coisas como vocês homens pensam.
- Aham! E o Barack Obama é branco e pegou uma doença contrária do Michael.
- É só que... Eu não entendo...
- Faz todo sentido: ele era apaixonado pelo Nick e você roubou o bofe dele. Que maldade!
- Vai se fuder Dave, eu to falando sério cacete.
- Ok... Relaxa... Ou ele é apaixonado no Nick ou ele tem problemas mentais.

O tempo passou e então descobrimos a verdade. Ele era apaixonado na Rach. E ele não pediu um tempo só pra ela, pediu pro Nick também. E deveria ser foda, pois, os dois trabalhavam juntos e se viam diariamente, imagina o clima tenso...

O Nick pediu um tempo pra Rach. E isso deixou ela bem abalada. O Fabio era o melhor amigo dela, e o Nick era o carinha que ela beijava, e os dois pedirem um tempo na mesma época foi bem hard. Pelo menos ela tinha eu. E assim seguimos juntos nos apoiando por alguns dias. Eu não podia me aproximar da gangue, eu era irmão dela, eu lembrava ela e seria injusto com a mesma. Mas eu conversava assim mesmo com o Joey e o Nick virtualmente. Pouco, mas conversava.

E então o Nick chegou a conclusão que o Fabio a amava e ele devia ficar com ela. Nick amava demais o amigo pra “furar o olho” dele, disse que o mesmo a conhecia a muito mais tempo e que ele a merecia. E então os dois se separaram. E após algumas semanas, a trupe voltou a ficar bem. E o Fabio e a Rach começaram a namorar escondido, comigo sabendo, óbvio.

Nick me contou que o Fabio tinha esclarecido do namoro dos dois e perguntou se realmente tava tudo bem. Ele disse que sim, e que só queria ver eles felizes, de verdade. E assim fomos todos nós seguindo fingir que estava tudo bem e fingindo acreditar no mesmo.

Acabou que depois de um tempo, realmente estava tudo bem. De verdade. A trupe já estava feliz novamente, saindo sempre, e já não era mais estranho os beijos do Fabio com a Rach. Eu achei que estava tudo bem, até receber uma mensagem do Nick.

“Eu e você, no bar do rock, beber umas... Preciso desabafar cara.” E então vi que tudo estava começando a ficar fudido.

Mas o que realmente me abalou, foi a Rachel me dizer que amava o Fabio, porem, não daquele jeito. E que achava que estava apaixonada no Nick. Yeah, fuck.

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Dois meses depois / Festa do Joey

Subimos as escadas cabaleando, o Nick se apoiando em mim. Tinha um cachorro chatinho, e uma linda vista. Linda mesmo, dava pra ver as luzes da cidade, e um vento frio batia no meu rosto. Bebia aquela vodka com um pouco de menta e me preparava pra contar aquilo pro Nick. Contar de vez. Eu amava meus amigos, e achava que eles precisavam saber de tudo por mim.

O que aconteceu, foi que horas mais cedo antes dessa festa, minha irmã disse que havia contado... sobre aquilo. E quando perguntei, ela disse que a todos, na verdade. Menos o Caique. E eu fiquei muito puto, ela não tinha o direito. E ela disse que eu devia sim ficar puto, mas que ela não fez por mal. Disse que estava tonta, e foi há muito tempo atrás, quando a gente tava começando a sair novamente. Na mesma época em que o Nick entrou no circulo de amizade.

Disse que foi em uma noite na casa do Fabio e não me contou muitos detalhes. Só citou que o Fabio riu e disse que não acreditava e que o Nick não disse nada. E que o Joey fez piadinhas maldosas. Era na fase em que eu não conhecia eles, e eles não me conheciam. Só tinham me visto duas vezes na rua com a Rach, então, eu nem me importei muito.

Foi onde descobri que em todo esse momento, eles sabiam. E não me tratavam diferente. Talvez esse era o motivo do Joey ter voltado a falar comigo repentinamente, e puxar tanto assunto. Talvez. E foi lindo, pois, tudo que eu tinha vivido com o Nick, foi verdadeiro. Ele sabia sobre eu gostar de pintos e não me julgou por isso. Então ao invés de ficar puto, eu fiquei muito contente. Eu tinha os melhores amigos do mundo.

- Eu sei que você sabe.

Olho para aquela vista, uma noite vazia com luzes ao longe. O vento passa, lambe meu rosto e vai embora. Uma lua gorda, mal acabada, porém brilhante. Nick não dizia nada, e isso me deixava preocupado. O álcool me dava liberdade para voar, mas minha mente não permitia.

- Eu sei que a nossa amizade não será a mesma, mas eu tinha que falar… Já ouvi todos os seus problemas, já servi de ombro inúmeras vezes e não posso ter o mesmo. Nossa relação é muito unilateral cara, e eu não quero isso… Eu quero poder contar pra você sobre tudo, sobre casos... acontecimentos... tudo...
- Dave, eu tô pouco me importando
- Olha, eu confesso que eu fiquei surpreso quando minha irmã me contou. Não esperava que ela fosse espalhar isso por aí…
- Ela não espalhou, ela só
- Eu digo, eu confiei demais nela… Não contei isso pra ninguém. Não contei nem pra mim. O fato de eu ser bissexual não muda meu caráter, e sim o das pessoas a minha volta.
- Dave, eu to pouco me importando. De verdade. Eu não vejo pessoas pela orientação sexual, eu gosto do que você é. Você não é um bissexual. Não existe isso. Não existe “meu primo, ele é gay”, isso é tolice, uma coisa idiota de se dizer. Você não diz “eu conheci um cara do trabalho, ele é legal, ele é hetero”, não, você apenas diz que ele é legal.
- Nick...
- Cara, eu te amo, mas você as vezes é idiota demais. Para de tornar sua orientação sexual como se fosse algo grande, pois não é. Ninguém é especial por ser bissexual ou hétero. Se você acha isso, então comece a mudar.

Eu senti uma coisa tão gostosa no peito, e eu tava quase chorando, eu só queria abraçar ele.

- Eu não sei o que dizer...
- Para de ser clichê. Beleza?
- Beleza... _ eu disse rindo
- Cara, eu não suporto a Rachel._ ele disse, pegando o copo de vodka da minha mão

Eu não consegui ouvir direito, e ele repetiu mais alto. E então disse que nunca havia esquecido ela e que esse clima dos dois só atraía ele ainda mais. E que ele não aguentava mais.

- Eu gosto do Fabio, Nick, mas sério, eu torcia muito por vocês dois.
- Mano, acho que vou me afastar. Não tem outra forma...
- Logico que não! Você é doente? Assim ela e o Fabio vão terminar tudo, e bye bye a gangue. Eu sei, falando assim parece egoísmo meu, mas...
- Eu amo a Rachel.
- Você o quê?! _ disse Joey saindo do meio da escuridão, onde nos espiava.

A vodka molha minha calça. Escuto o barulho do copo se multiplicando no chão, mas não dou importância. Esperava que o vazio daquela noite fosse apenas um pesadelo, onde eu iria acordar, e sentir minhas calças molhadas… e não pela vodka.

Então Nick saiu atrás do Joey, onde puxei o braço dele e balancei a cabeça que não.

- E se ele contar pra alguém?
- Ele não vai. Confia em mim.

Então Nick me abraçou. E foi um abraço lindo, pois eu precisava daquilo tanto quanto ele. E depois de um bom tempo abraçando, ele se afastou com uma piadinha boba das de sempre.

- Ta, chega de viadagem que isso não é coisa te chesus.
- Trouxa – eu disse dando um murro no braço dele.

-- / --

Joey e Fabio eram amigos de infância. O medo que o Nick tinha do Joey abrir a maldita boca e contar tudo, era o mesmo que eu sentia – só que da minha parte, um egoísmo. Meu maior medo era a gangue acabar. Então preferia que fosse apenas um sonho, pois, eu não queria que a amizade do Nick com o Fabio acabasse. Nem que a amizade da Rach com o Nick acabasse. Eu só queria as coisas normais, que voltassem a ser como eram.

Descemos as escadas e fingimos estar tudo bem. Joey olhava meio torto pro Nick, mas acho que ele só queria uma conversa. E então ficamos bebendo e curtindo a música até tarde. Eu já tava tonto demais, mas não parava de beber. Então jogamos a brincadeira da garrafa, “Verdade ou Desafio” e o Joey foi desafiado a dançar Call Me Maybe, a melhor parte da noite.

Ele sabia mesmo a coreografia e até tirava a camiseta, foi hilário. E então a garrafa parou do Fabio pro Nick, e o Fabio perguntou quem daquele lugar era a pessoa que o Nick mais amava. E então ficou aquele clima tenso e ele disse “Eu, porque sou foda pra caralho”. O Fabio não aceitou a resposta, e então o Nick se levantou. Rachel tava do meu lado e ficou meio nervosa. Ele então chegou até nós.

- Eu não queria dizer isso, mas, é verdade. Dave, se levante, deixa eu abraçar a coisa que mais gosto aqui entre vocês.

Me levantei meio nervoso e tímido.

- Fabio, não é “Quem”, e sim “O que". Megadeth cara, podem dizer, é foda ou não é? É a coisa que eu mais amo!

E eu ri pra caralho, pois eles todos sempre estavam zuando Mega dizendo que Metallica era melhor e coisas do gênero, só pra me irritar. Até o Nick mesmo, dizia coisas chatas pra caralho pra me ver puto, e parece que naquela noite, Mega tinha salvado a alma dele.

- Sério mano, quero essa camisa pra mim!

Todos começaram a rir e eu mandei ele se fuder.

- Mega é foda, flw? _ eu disse mostrando o dedo do meio

E então era minha vez de girar a garrafa. Rachel olhou pro Nick, deu aquela risada, e então senti que as coisas ficariam bem. E ficaram. Os dois acabaram tendo uma conversa e resolveram ficar em paz. E naquela noite ainda, fiquei sabendo que o Joey teve uma DR com o Nick. Talvez as coisas realmente voltariam ao normal.

O motivo da gangue ter acabado, meses mais tarde, foi citado nessa noite. Mas a gente nem imaginava que o efeito seria o contrário.

Após todos terem ido dormir, eu fiquei nervoso demais pra deitar. Eu havia bebido demais e AINDA era inseguro sobre dormir e sei lá, mijar na cama. Eu já havia dormido varias noites na casa do Fabio, das nossas farras semanais, mas la era diferente, um local diferente. E sei lá, a trupe toda tava la, não seria nada legal.

Fiquei na escada, esperando a hora passar. Só precisava esperar chegar 6h da manhã, eram 4 e pouco. Fiquei bebendo sozinho, até que o Joey chegou.

- Cara, ta tarde, bora dormir.
- Ah mano, nem rola, to sem sono, dormi o dia todo, agora fode hard... (FUCKING OUT LIE)
- Ta, mas evita de subir la em cima, aquela cachorra maldita vai acordar meu pais.
- De boa. _ disse rindo, pois tinha quase certeza que era macho _ Joey, por que?
- Porque ta tarde? Porque meus pais são chatos? Porque é bom dormir sem latidos?
- Não... Não é isso, oshe... _ eu disse, escostando na parede, pra ele sentar ao meu lado _ Por que você é tão diferente comigo pessoalmente?
- Como assim?
- Ah, você não conversa...
- A gente ta conversando...
- Sim, mas eu digo, quando ta a trupe
- Não chame disso, por favor _ disse ele rindo
- Whatever, quando ta todo mundo, você quase não fala comigo...
- Ah... Sei la.
- Sei lá? Isso é a sua explicação descente?
- Eu vou começar, ok? _ disse ele se levantando _ Agora bora dormir mano, você vai ficar aqui sozinho?
- Se preocupa não, to tonto demais pra me importar.

Ele então entrou. E após um tempo eu também entrei. Fiquei deitado na sala, onde tinha uma grande cama de casal. Nela tava apenas o Fabio. Caique num sofa ao lado e o Nick no outro. E minha irmã num quarto separado.

Após algum tempo, começando a cochilar, Nick me acordou.

- Ow, vamo la pra fora mano, se não tu vai sofrer a ascensão do Joey. _ disse Nick cochichando
- An?

 Me levantei e vi a bagunça que eles estavam fazendo, tentando ficar quietos. Joey teve a incrível ideia de passar pasta de dente na cabeça de todo mundo. Eles tentavam ficar quietos, mas não conseguiam, ficavam rindo. E a parte engraçada, é que além do Joey e o Caique, o Fabio também ajudou o Joey a passar pasta no cabelo da minha irmã. Estavam todos eles sujos de pasta, só que ela não acordou. Foi bem irado na manhã seguinte, o quase término do namoro dos dois, ela ficou muito puta, mas achou engraçado pra caralho.

Fomos la pra fora, e nos escondemos no banheiro, pro Joey não passar pasta na gente. Então me sentei na parede, com o celular iluminando a escuridão. E então o Nick começou a conversar comigo via Whats, mesmo eles estando ao meu lado. Não queria fazer barulho.

Ele disse que iria tentar esquecer o sentimento dele por ela e que se não conseguisse, ia tentar novamente. E novamente. E novamente. Até conseguir. Disse que não era justo, que seria egoísmo lutar por ela, sendo que o Fabio era o melhor amigo dos dois. E então ele deitou a cabeça no meu ombro e ficamos assim por um longo tempo. E ele estava chorando. E novamente, eu não sabia o que fazer. Eu só fiquei parado, deixando tudo aquilo acontecer.

- Acho que vou dar uma afastada Dave.
- Acho que pode ser... _ disse meio cochichando _ Mas se você se afastar da minha vida, eu mando hackear sua conta do LOL. _ ele riu _ E suas bolas também.
- Meu pau não.
- Seu pau não.

E então ele encosta novamente a cabeça no meu ombro.
- Te amo Nick.
E ele então respondeu a coisa mais linda que alguém já tinha dito pra mim. Não foi aquele clichê com três palavras, mas foi o que se tornou para representar aquilo, na nossa linguagem. Sempre que queríamos demonstrar afeto em público sem parecer viados demais, era aquilo que dizíamos um para outro. E era lindo.
- Te amo Nick. _ eu disse, encostando a minha cabeça, na cabeça dele.
- É nóis.

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